3 de março de 2014

O homem que não conseguia dormir.

 
Contos, Histórias, O homem que não conseguia dormir

Era uma vez um homem que um dia ficou sem sono. Queria dormir, mas não conseguia, apesar de sempre ter dormido bem. Quando fechava os olhos, não lhe saía da cabeça a tristeza que havia no olhar das crianças que se apinhavam junto da porta da casa onde morava e trabalhava. Era um homem bom que gostava do que fazia e que fora educado para obedecer às ordens dos seus superiores, estivesse onde estivesse. Nunca lhe passara sequer pela cabeça a possibilidade de um dia vir a infringir essa regra.

Esta história é verdadeira e aconteceu poucos dias antes de começar o verão do ano de 1940. Ainda há muita gente viva que se lembra bem desse homem e daquilo que ele fez, deixando de pensar em si e pensando nos outros e na sua salvação. O homem era diplomata e nascera no norte de Portugal. Chamava-se Aristides de Sousa Mendes, era casado e tinha vários filhos. A sua carreira como cônsul levou-o até à cidade francesa de Bordéus, onde lhe chegaram as primeiras notícias do começo da Segunda Guerra Mundial quando as tropas alemãs atacaram a Polónia e a Inglaterra se opôs a essa agressão, em defesa da liberdade e da democracia, declarando que faria frente, pelas armas, aos agressores.

O homem era pessoa de bem e defensor da paz. Não podia aceitar a ideia de que alguém pudesse ser perseguido, torturado e morto só por ter ideias políticas diferentes ou outra religião. Fora educado para a tolerância e por isso respeitava os direitos dos outros. À medida que as tropas alemãs invadiam países como a Bélgica ou a Holanda e se aproximavam da fronteira francesa, iam chegando a Bordéus refugiados das nações ocupadas, em busca de um visto no passaporte que lhes permitisse chegar à Espanha e depois a Portugal, apanhando mais tarde, em Lisboa, um barco ou um avião que os levasse para países como os Estados Unidos da América, o Brasil ou a Argentina, onde não havia guerra. Portugal e Espanha, governados por ditadores como Hitler, o senhor da Alemanha, não tinham entrado na guerra e iriam manter-se à margem dela, embora durante muito tempo tenham estado ao lado dos alemães e do que eles representavam.

O homem queria dormir, mas não era capaz. Ecoavam-lhe na cabeça as vozes das crianças que sofriam de fome e de sede e que, lembrando-lhe os seus filhos, tinham o direito de viver e de crescer em liberdade. De Lisboa, o cônsul português recebera ordens muito rigorosas no sentido de não deixar chegar refugiados a Portugal. Pensou e voltou a pensar, consultou a mulher e escreveu uma longa carta aos filhos explicando o que tencionava fazer e as razões dessa opção. Espreitou pela janela e viu nos olhos das crianças um sorriso fugidio que representava a última réstia de esperança. Por elas valeria a pena arriscar. Por elas e pelos princípios que defendia. Foi assim que a palavra “desobediência” entrou definitivamente no seu vocabulário. Mandou abrir as portas do Consulado de Portugal e forneceu aos funcionários carimbos e selos brancos para poderem emitir o maior número de vistos possível. A partir desse momento seria uma batalha sem tréguas contra o tempo. Cada minuto contava. Cada dia parecia uma eternidade.

Durante três dias não houve descanso para ninguém dentro do Consulado, e ainda sobrou tempo para se dar água e comida àqueles que esperavam à porta em intermináveis filas, com a esperança de que o pesadelo por fim terminasse. Pela rádio chegavam notícias da rendição da França, o que significava que já faltava muito pouco para que as tropas de Hitler chegassem também a Bordéus, perseguindo e prendendo judeus e opositores políticos ao regime nazista. Era preciso atuar ainda mais depressa. O cônsul conseguiu arranjar tempo para ir às cidades de Bayonne e Hendaye onde havia um grande número de refugiados tentando passar a fronteira em direção à Espanha. Aristides de Sousa Mendes sabia que o desrespeito pelas ordens de Lisboa teria consequências dramáticas para o seu futuro e da sua família. Ainda assim, não recuou. Sabia que a razão estava do seu lado e não estava disposto a abdicar dessa razão, que correspondia à salvação de milhares de vidas.

 — Mãe, tenho fome e sede e quero sair deste sítio — dizia a menina austríaca para a mãe pálida e exausta.

 — Talvez amanhã de manhã já possamos estar a caminho da liberdade, porque há ali dentro um homem bom que nos quer ajudar.

O homem não se deixou vencer pelo cansaço, pelo sono, pela fome ou pela sede. A vida dos outros estava primeiro. Se eles tinham pressa, a sua conseguia ser ainda maior. No Consulado, houve quem o avisasse: - “O senhor bem sabe o que lhe pode acontecer!”. Mas ele não quis saber e continuou a passar vistos, perdendo a conta às pessoas que já tinha conseguido salvar. Terão sido dez mil, quinze mil ou trinta mil? Não se sabe ao certo. Sabe-se sim que chegaram a Lisboa e que depois foram encaminhados para o Estoril, para a Ericeira, para a Figueira da Foz ou para as Caldas da Rainha. Mais tarde, a maioria conseguiu partir para países onde havia liberdade. Alguns voltaram depois do final da guerra às suas terras, outros nunca mais as quiseram ver porque não conseguiram esquecer as horas de sofrimento e perda. Três dias bastaram para que o cônsul Aristides de Sousa Mendes abrisse a milhares de refugiados as portas para a liberdade, desobedecendo a Salazar e ao regime que ele dirigia. Por isso foi prontamente banido da carreira diplomática e proibido de exercer qualquer atividade profissional, morrendo na miséria em 1954, com os filhos dispersos por países como os Estados Unidos, onde puderam estudar e seguir as suas carreiras. Num dia quente de Junho de 1940, no Rossio, em Lisboa, um menino de cabelo loiro perguntou aos pais, enquanto estes procuravam uma pensão ou um hotel onde se pudessem instalar até conseguirem arranjar bilhetes num barco ou num avião para Nova Iorque:

 — Como é que se chama aquele senhor que, em Bordéus, nos passou os vistos para podermos chegar a este país?

 O pai, não contendo uma lágrima comovida, respondeu-lhe:

 — Chama-se herói, filho. Quem faz o que ele fez por nós só pode ter esse nome.

Ainda não houve um grande realizador de cinema que fizesse um filme sobre esta história verdadeira, à semelhança do que Steven Spielberg fez com Oskar Schindler, mas pode ser que ainda venha a ser feito. Nunca é tarde para celebrar os feitos dos heróis.

Naquelas noites quentes de Junho de 1940, havia em Bordéus um português que não conseguia dormir. Não lhe saía da memória a aflição das crianças que queriam ver abrir-se a porta que as deixasse seguir o caminho até à liberdade. Essa porta abriu-se e por ela passou uma réstia de luz, desenhando no cetim negro do céu, entre as estrelas, a linda palavra “Esperança”, escrita em português como esta história verdadeira que é sempre bom contar e recontar.

Por quê? Porque é sempre possível que a tragédia volte a acontecer, onde e quando menos se espera.

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22 de janeiro de 2014

O que é se encostar no INSS?

 
Encostar no INSS, Auxílio-doença no INSS, Palavras

A língua portuguesa é rica em termos e muitas vezes as pessoas criam sinônimos informais que são mais conhecidos que o nome próprio que define um produto ou uma situação. No caso dos benefícios do INSS o auxílio-doença é conhecido por “se encostar” ou “estar encostado”. Verifiquei que as pessoas utilizam mais a frase “o que é preciso para se encostar no INSS” representando “o que é preciso para obter o benefício de auxílio-doença no INSS”.

O termo encostar ou encostado vem de um sentido deturpado do objetivo do benefício de auxílio-doença, que foi criado para garantir a renda do trabalhador que fica impedido de exercer sua atividade por doença ou por acidente. Muitas pessoas querem se encostar no INSS no sentido de ficarem sem trabalhar e recebendo uma renda mensal, mesmo que seja o salário-mínimo. Já vi muitas pessoas que estão encostado no INSS e fazem bicos, principalmente na construção civil, fazendo pequenos serviços. Quando uma pessoa perde o emprego a primeira ideia que tem é sobre o que terá que fazer para se encostar no INSS, pois ninguém pode viver sem ter uma renda.

Se você estava procurando informação sobre o benefício de auxílio-doença doença no INSS convido que leia o seguinte artigo: Quais os procedimentos para requerer auxílio-doença no INSS.

Outras informações sobre Auxílio-doença.

Os benefícios do INSS

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10 de janeiro de 2014

Qual a sua percepção sobre o valor do amanhã?

 
Livros, Literatura, Palavras

Terminei de ler o livro O valor do amanhã escrito por Eduardo Giannetti e publicado pela editora Companhia das Letras. Ganhei o livro no Natal e, por ser um assunto de meu interesse, dediquei a lê-lo de imediato. O livro é muito interessante, pois trata do tema juros no sentido mais amplo, ou seja, como sendo tudo aquilo que estamos dispostos a pagar ou receber ao anteciparmos ou adiarmos alguma coisa em nossa vida.

Eu tenho um blog onde trato o tema sobre aposentadoria e outros benefícios oferecidos pelo INSS e muitas pessoas me perguntam se é vantagem aposentar-se agora, pelas regras atuais, ou esperar que mudem. Hoje as pessoas que se aposentam sofrem um redutor na renda mensal, chamado de fator previdenciário, proporcional à idade, ou seja, quanto mais jovem o requerente maior a perda. Essa pergunta é complexa e de difícil resposta, pois depende de muitos fatores que só a própria pessoa é capaz de verificar.

No livro que estou comentando há muitos exemplos de casos em que se pode usufruir agora e sofrer as consequências depois, cobrança futura de juros, ou sacrificar-se agora para ter um benefício futuro, receber juros posteriormente. Na questão acima o cidadão terá que ver quanto será sua perda, se aposentar-se agora, e comparar com seu ganho se esperar o tempo necessário para que as regras mudem ou mudem as condições de cálculo da renda, como a idade mais avançada, por exemplo. Terá que levar em conta se tem como sobreviver sem a aposentadoria imediata e se pode continuar contribuindo para esperar uma melhora futura.

No livro o autor faz um comparativo em que se oferece um prato de comida, bem simples, agora ou um banquete completo no final de um mês. A aceitação da proposta estará sujeita a condição alimentar do envolvido, se ele tem como alimentar-se diariamente poderá esperar o banquete, mas se está com fome e não tem meios de obter alimento escolherá a primeira opção. Essa questão é uma analogia para as decisões que temos que tomar diariamente, não existe uma decisão certa ou errada, tudo depende de nossa percepção de como poderemos viver com a decisão tomada.

Eu já ouvi algumas pessoas dizerem que se pudessem voltar no tempo, com o conhecimento que têm hoje, não cometeriam os erros que cometeram ao longo da vida. Minha ideia sobre isso é que poderemos escolher um fato em nossa vida em que tomamos uma decisão importante e, se fosse possível viajar no tempo, mudá-la e, dessa data em diante, iremos cometer novos erros, pois temos, quase diariamente, situações que exigem nossa decisão e não há conhecimento suficiente que garanta que não iremos errar em nossas escolhas.

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16 de dezembro de 2013

O presente de Natal precisa conter amor.

 
Natal, Presente, Amor

Nicolau esborracha o nariz contra o vidro da montra. Do outro lado, polvilhados de neve, estão alinhados inúmeros frascos e frasquinhos, uns altos e esguios, outros bojudos, todos cheios de um líquido dourado. Perfume. Mil espécies diferentes, no mínimo! Mas não é qualquer um que cheira bem. O perfume da avó tem um cheiro forte e penetrante, como o sabonete do quarto de banho do dentista. E D. Clara, a professora, tem sempre um cheiro doce de chiclete de cereja. E a mãe? A mãe cheira simplesmente a mãe. Só às vezes, quando sai à noite – uma vez em cem anos – cheira então a L’Amour, que quer dizer “amor” e é um cheiro muito especial.

Nicolau entra na loja, cheia de pessoas que vão ainda comprar uma prenda de Natal no último minuto.

— Dê-me, por favor, alguma coisa por 50 euros e queria um embrulho bonito!

 — ouve Nicolau a um homem corpulento. E uma senhora, em casaco de pele, dá-lhe um empurrão: — Um boião de creme antirrugas com efeito triplo, por favor!

Nicolau puxa a bata a uma vendedora simpática.

— O que queres, rapazinho?

— Um frasco de L’Amour.

Ela dirige-se rapidamente para a prateleira.

— A água de toilete a 30, com pulverizador a 40 euros, ou o perfume a…

Nicolau olha para a vendedora, desesperado.

— Não tens dinheiro que chegue, não é?

Nicolau acena afirmativamente com a cabeça.

— Olha, está aqui uma amostra de L’Amour. Não custa nada e de certeza que a tua mãe vai ficar muito contente!

A vendedora sorri e coloca-lhe na mão uma caixinha de papel e, antes que ele possa agradecer, vai embora.

Nicolau guarda a caixinha e abandona a loja. Lá fora está a avó.

— Céus, Nicolau, mas onde é que te meteste? Não se pode tirar os olhos de ti por um segundo!

Agarra-o com força pela mão.

— Como se eu não já tivesse preocupações de sobra!

Nem mesmo no talho o larga. Aqui há montes de gansos e perus de pele branca com borbulhas. Na parede, estão pendurados coelhos esfolados com a cabeça e ainda um pouco de pelo nas patas. Nicolau começa a sentir-se mal. Tantos animais mortos. Tem de pensar noutra coisa, depressa! Na mãe. Não, na mãe, é melhor não. Ainda dói mais. A mãe, que está no hospital, numa cama branca, num quarto branco.

— Faz-me um desenho bonito, Nico, para eu deixar de olhar para as paredes brancas! — dissera ela.

E Nicolau fizera um desenho com todas as cores, exceto preto. Um desenho de Natal com um pinheiro verde decorado com velas vermelhas, bolas azuis e estrelas doiradas e, ao lado, um grande coração cor-de-rosa com as palavras: “As melhoras, mamã!”

— É o desenho mais bonito que já vi! — dissera a mãe e o médico tivera de ajudar a colá-lo na parede. Era um médico simpático. Os outros mandavam sempre Nicolau sair quando chegavam para ver a mãe. Nicolau ficava então à porta, à espera, cheio de medo, até a avó vir buscá-lo. E a mãe sorria-lhe da cama como se quisesse dizer: “Cabeça erguida! Não vai acontecer-me nada.” Também lhe explicara que lhe fora retirada uma coisa da barriga porque não devia lá estar e que em breve ia voltar a ficar tudo bem.

Nicolau puxou a avó pela manga.

— Quando é que a minha mãe volta para casa?

— Oh menino, perguntas-me isso quinhentas vezes ao dia! Daqui a duas semanas, já sabes.

Nicolau só sabe que hoje a mãe não vai estar em casa. Hoje, na noite de Natal.

— Quatro salsichas frescas, cem gramas de presunto e duzentos e cinquenta de fiambre — diz a avó ao carniceiro, que já tem gotas de suor na testa. Metido no casaco grosso e com a camisola por baixo, Nicolau também está a suar. Em casa da avó tem sempre de andar agasalhado, até com meias calças por baixo das calças de ganga. Picam tanto! E, aliás, só as meninas é que usam meias calças.

De volta à rua, Nicolau aponta para uma árvore de Natal pequena e um tanto desguedelhada.

— A nossa última, leva-a por 5 euros. — diz o vendedor.

A avó recusa.

— O que vamos fazer com ela, Nicolau? Não tenho tempo para decorá-la e vamos já para o hospital.

Nicolau abre muito os olhos, assim as lágrimas não saem logo.

— Lá também há uma bonita árvore de Natal — a avó tenta consolá-lo, — uma muito grande!

Sim, é grande, e está lá há tanto tempo, quanto a mãe está no hospital. Há uma eternidade, portanto. E com as velas elétricas acesas o dia todo.

Nicolau tira o porta-moedas do bolso.

— Só tenho três euros. Chega? — pergunta ao vendedor.

Este pega depressa no dinheiro e diz:

— Pode ser, porque hoje é Natal.

— Oh, menino! — diz a avó e, com um suspiro, entala a árvore debaixo do braço.

Em casa, desaparece imediatamente na cozinha para fazer a salada de batata que esta noite vai acompanhar as salsichas. De certeza que vai tornar a deitar cebola. Que Nicolau detesta.

Nicolau tira o suporte da árvore de Natal do armário e a caixa com as decorações. É mais fácil do que pensou. A arvorezinha é tão pequena que consegue atarraxá-la no suporte sem dificuldade. Em seguida, tira com cuidado as bolas da caixa, azuis, vermelhas e roxas, a tira de papel brilhante do infantário, as estrelas de palha e as nozes doiradas.

Nicolau pendura tudo nos ramos, agora só faltam os candelabros.

— Avó, temos de comprar velas! — grita na direção da cozinha.

— As lojas já estão fechadas — responde a avó, limpando as mãos ao avental.  — Veste-te lá, temos de sair já.

Nicolau embrulha a caixinha com o perfume num resto de papel de embrulho com coelhos de Páscoa, o que não combina lá muito, mas de certeza que a mãe não se importa. Imagina a surpresa dela ao descobrir o perfume. Para a avó não tem nada, mas ela pode sempre olhar para a árvore de Natal… Lembra-se das velas em falta e suspira. A mãe saberia o que fazer. Sabe sempre o que fazer.

A avó e Nicolau sobem para o autocarro e mudam duas vezes até finalmente se encontrarem em frente ao hospital. Nicolau sabe o caminho. Primeiro, têm de subir de elevador até ao quinto andar, depois seguir por um corredor comprido à esquerda, e virar à direita até ao quarto 513.

Nicolau abre a porta com cautela. Nunca se sabe o que vai estar do outro lado. Às vezes, a mãe está a dormir, às vezes está uma enfermeira a medir-lhe o pulso… e desta vez? Desta vez, a mãe não está! A cama está vazia, a coberta esticada. E à janela está uma figura, muito magra, que não pode ela! Mas quando se vira, vê que é mesmo ela!

Nicolau corre para junto da mãe e enlaça os braços em volta da barriga, mas não com muita força.

— Tenho férias de Natal — diz a mãe alegremente. — Três dias!

— Não temos quase nada que comer em casa! — exclama a avó.

Para Nicolau, isso não tem importância.

— Podes comer as minhas salsichas e… — Nicolau prefere sussurrar — também tenho uma prenda para ti, mamã. É uma árvore, mas sem velas.

— Ainda deve haver uma caixa do ano passado, Nico, se não, não há problema, o principal é que estamos juntos.

A mãe entrega a carteira à avó e diz a Nicolau:

— Tens de ajudar-me. Ainda estou um pouco insegura das pernas.

E Nicolau segura com força a mãe, e continua a ampará-la no táxi e nas escadas que conduzem ao apartamento. Só lhe larga a mão quando lhe oferece o pacotinho para desembrulhar.


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Autor: Sabine Ludwig Clube das Histórias 
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15 de dezembro de 2013

Pagar impostos, uma palhaçada.

 
Pagar impostos, uma palhaçada.
Todo final de mês recebemos nosso salário e podemos ver que temos um sócio. O Governo fica com uma grande parcela que chama de imposto de renda, mas que na verdade é imposto sobre salários. Só assalariado paga impostos, os que realmente têm renda nada pagam ou pagam um valor simbólico. Este esquema é muito proveitoso para o Governo, pois o imposto sobre salário garante a arrecadação sem nenhum esforço. Não precisa calcular, cobrar, o empregador fica responsável por tudo, o Governo só coloca no bolso e repassa aos políticos para que gastem.

E não é só o imposto de renda, a quantidade de impostos e taxas que pagamos durante o ano é uma fábula. No final do ano recebemos o 13º e novamente o valor vai todo para pagar impostos, pois temos que pagar o IPVA, IPTU e como recebemos a primeira parcela antecipada na segunda vem o desconto da Previdência Social e do imposto de renda e com isso o valor fica bem reduzido, por isso me sinto como o personagem da charge acima, um verdadeiro palhaço. A charge foi feita pelo Iotti e publicada no jornal Zero Hora.



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10 de dezembro de 2013

Uma história para esperar o Natal.

 
Palavras, Natal, Felicidades

O inverno tinha chegado e com ele a neve que caía em grandes flocos. A água deixara de correr nos ribeiros gelados, e as aves, empoleiradas nas árvores, já não cantavam, de cabeça recolhida debaixo das asas. Um vento glaciar obrigava as pessoas a manterem-se em casa ao canto da lareira.

Naquela terra corria o rumor de que o senhor de um reino longínquo andava à procura de alojamento para o seu filho. Simão, um mercador rico da cidade, que vivia sozinho com a mulher numa grande mansão, tinha ouvido falar disso. Esse tal rei vem de certeza bater-me à porta, pensava ele, pois a minha casa é a mais linda da região! E ficou no limiar da porta, à espreita, esperando o coche real. Mas a rua permanecia escura e deserta.

A mulher de Simão entrou na sala. Caminhava com dificuldade, de costas curvadas, apoiada numa bengala. Tinha imensas dores de pernas. Trazia um castiçal que pousou em cima da mesa.

— Uma vela só é muito pouco! — disse o marido em tom de crítica — Acende todas as lanternas da casa e põe uma em cada janela.

— Tanta luz para quê? — admirou-se a mulher.

— Vai vir um rei a nossa casa! — explicou Simão. — A casa tem de se ver ao longe, de noite. Se ficar cá, receberemos uma bela recompensa. É por isso que deves iluminar as janelas. Despacha-te! E prepara uma boa refeição, digna de um rei. Anda, despacha-te!

A muito custo a mulher deu volta à casa a iluminar todas as janelas. Tinha chegado à última divisão quando alguém bateu à porta. Foi abrir muito devagar. O recém-chegado trazia um casaco já muito puído e, nos pés, uns sapatos rotos.

— Boa noite, minha senhora — disse ele — Será que poderia alojar o meu filho só por esta noite? Está tanto frio cá fora!

O homem tinha ar de mendigo, mas o seu rosto resplandecia. E os olhos emitiam um brilho estranho que parecia vir do mais profundo da alma. Mas Simão não deu por nada. Só via os farrapos do pobre.

— Vai-te embora! — disse ele. — Esta casa não é para mendigos!

— A minha recompensa será grande — disse o forasteiro. — E vale mais do que todo o ouro e todas as riquezas deste mundo.

Simão desatou a rir, trocista:

— E onde escondes tu os tesouros? Debaixo desses farrapos ou no teu saco roto?

Entretanto a mulher de Simão tirara o xale e entregara-o ao mendigo. Também lhe deu uma fatia de pão e uma chávena de leite.

— É tudo o que lhe posso dar! — murmurou.

— Muito obrigado! — disse o forasteiro. E pegando na bengala em que ela se apoiava, arrumou-a junto do armário.

— Daqui em diante não vai precisar mais dela! — acrescentou, antes de desaparecer na noite. Envolvia-o um halo de luz.

A mulher sentiu-se de imediato livre dos seus sofrimentos. As pernas já não lhe doíam. Endireitou-se e deu alguns passos.

— Estás a andar como dantes! — exclamou Simão maravilhado. — E a bengala?

— Já não preciso dela! — disse a mulher com voz trémula. — Foi um milagre. O forasteiro curou-me…

— Um mendigo que faz milagres? Deixa-te de tolices! — resmungou Simão.

— Aquele desconhecido irradiava uma luz especial… — prosseguiu ela — O Rei é ele, tenho certeza, um Rei vindo de longe…

Simão ficou pensativo. O desconhecido tinha falado numa recompensa que valia mais do que todo o ouro e todas as riquezas deste mundo. E acabava de realizar um milagre. Então Simão compreendeu…

— O que eu fui fazer! Que miserável sou! — exclamou ele — Depressa, tenho que o encontrar!

Enfiou as botas e o casaco e saiu a correr. Tinha parado de nevar. O vento glaciar deixara o céu a descoberto, agora semeado de estrelas. No silêncio da noite, Simão ouviu uma voz que o chamava ao longe. Mas não via ninguém. Descobriu pegadas na estrada, e pôs-se a segui-las, descendo em direção à igreja. Ali, encontrou uma mulher a chorar.

— Que te aconteceu? — perguntou ele.

— Tenho muito frio! — gemeu a idosa.

Então, cheio de remorsos, Simão deu-lhe o casaco. Depois continuou a caminhar, seguindo as pegadas na neve. Um pouco mais à frente, viu um rapaz a soluçar. Também ele tinha frio, descalço na terra gelada, com os pés gretados. Simão descalçou as botas forradas e deixou-as ao miúdo.

— Simão! — chamou de novo a voz. Parecia mais próxima do que da primeira vez, mas Simão continuou a não ver ninguém. Descalço, pôs-se a andar, guiando-se sempre pelas pegadas da neve. Mais longe, passou junto de um idoso que tremia, sentado junto de uma árvore. Vestia apenas uma camisa. Simão despiu o casaco e pô-lo sobre os ombros do mendigo. Também ele sentia agora o vento a morder-lhe a pele nua. Então, pela terceira vez, alguém o chamou:

— Simão — disse o Rei, — passaste todas as provas que semeei no teu caminho. Continua a seguir o trilho e chegarás diante de uma pobre cabana. Aí encontrarás o meu filho deitado nas palhas de uma manjedoura. Está à tua espera.

Simão obedeceu. E as pegadas na neve conduziram-no a um estábulo. Tal como o Rei dissera, um Menino estava deitado nas palhas de uma manjedoura.

Uma grande luz iluminava aquele lugar e um calor suave aqueceu Simão até ao fundo da alma. Sentiu-se invadido por uma enorme felicidade e uma grande paz encheu-lhe o coração. Então, ajoelhou e pôs-se a rezar. E o Menino sorriu-lhe.


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30 de novembro de 2013

O que é preciso para ter sucesso na vida.

 
O que é preciso para ter sucesso na vida.

Todos nós queremos ter sucesso na vida, tanto na área profissional como na pessoal. O sucesso no trabalho influencia a vida pessoal e vice-versa. No texto abaixo o autor explica que para atingir resultado em qualquer atividade é preciso ter foco, planejamento, disciplina e motivação. Com o uso adequado dessas três palavras é possível obter resultado em qualquer atividade que se proponha. O autor assim fala:

Se me perguntassem qual o segredo para alcançar o sucesso, profissional e pessoal, eu citaria esses ingredientes: Foco, Planejamento, Disciplina e Motivação. Vou dar alguns exemplos do nosso dia-a-dia para que fique mais claro o porquê desses quatro itens serem primordiais para o sucesso.

Você decide mudar de vida. Cansou de trabalhar em empresas privadas. Quer um concurso público. Então vamos lá para o uso dos ingredientes em questão:

1 - Foco: Qual é o seu foco? Esta é a primeira pergunta que deve ser feita. Resposta: O meu foco é passar num concurso público. Se for este o seu foco, nada de cursos extras, finais de semana viajando, namoro todos os dias, farras com os amigos. Seu foco é passar. Você deve ter isso em mente.

2 - Planejamento: Definido o seu foco, você deve partir para o planejamento. O que você deve estudar primeiro? Quais as matérias terão mais peso no concurso? Como planejar seu tempo? Que dia você vai namorar? Quantas horas do dia poderá se dedicar ao estudo? Monte então um cronograma e siga-o.

3 - Disciplina: Seguir o cronograma que você mesmo elaborou é o que chamamos de disciplina. Se planejou estudar 3 horas por dia, isso deve ser cumprido. Você precisa disciplinar seus horários e tudo aquilo que planejou para atingir seu objetivo. A disciplina é fator importantíssimo para quem tem metas ou objetivos a bater.

4 - Motivação: A Motivação pode ser considerada como o agente controlador de todas as outras etapas. Sem motivação você não sai do lugar. Não adianta ter foco e realizar um bom planejamento, se não houver motivação. Ela está junto à Disciplina. Pois você só vai realmente realizar as ações planejadas, se estiver motivado. E essa motivação diária é que chamamos de Disciplina.

Faz-se necessário compreender que caso você não tenha êxito utilizando esses itens, é preciso fazer uma análise do que foi positivo e do que foi negativo em todo o processo. Possivelmente um dos ingredientes foi negligenciado. É relevante, portanto, entender que para qualquer ocasião na nossa vida, seja ela profissional ou pessoal, esses quatro elementos deverão estar presentes de forma consistente.

Autor: Ralph Neves.com
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9 de novembro de 2013

Palavras de humor. Como reagir ao fim do namoro.

 
Palavras de humor. Como reagir ao fim do namoro

Márcia deixou Paulo por outro homem. Paulo não gostou, mas se resignou. Márcia era uma mulher livre. Uma mulher independente. E o namoro dos dois já estava mesmo na hora de acabar. As amigas comentaram que, para tirar a Márcia do Paulo, o outro teria que ser um homem e tanto. O Paulo era bonito, inteligente, simpático, bem educado, bem-humorado, atencioso e elegante, além de compreensivo. Cozinhava bem, ajudava na decoração, tinha bom gosto, boa voz, bom ouvido e nisso todas concordavam era muito bom de cama.

A grande curiosidade de todos passou a ser quem era o outro. O que o outro tinha que o Paulo, que era perfeito, não tinha? Por isso houve um choque generalizado quando a Márcia apareceu com um gordinho chamado Pires e o apresentou como “meu namorado”, dando um tapinha na sua careca, que batia no seu ombro.

Ninguém ficou mais chocado do que o Paulo. Na primeira oportunidade, chamou Márcia para uma conversa.

– Marcinha, você não pode fazer isto comigo.

– O que eu fiz?

– Me trocou por esse Pires. Pense no que vão dizer.

– De quem?

– De mim!

Um homem é julgado por quem o substitui, argumentou Paulo.

– Acho que eu tenho direito a uma explicação.

– Nós nos amamos.

– O que ele tem que eu não tenho?

– Nada.

– É cama, acertei? Ele é um animal na cama. Quando apaga a luz, se transforma numa máquina de sexo. Melhor do que eu. É isso?

– Não sei.

– Como, não sabe?

– Nós ainda não transamos. Ele diz que só depois do casamento.

– Vocês vão se casar?!

E aconteceu o seguinte. Paulo começou a espalhar informações falsas sobre o Pires. A caluniá-lo ao contrário, inventando qualidades que o tornavam irresistível às mulheres. Ele era uma máquina de sexo. Também era uma potência intelectual, um nome respeitadíssimo no mundo da pesquisa molecular com vários trabalhos publicados, talvez o brasileiro com maiores possibilidades de ganhar o Nobel num futuro próximo. E era riquíssimo, embora não gostasse de ostentar sua riqueza. Um homem e tanto.

Pires perguntou para a Márcia se deveria processar o Paulo quando este sugeriu seu nome como candidato à Academia Brasileira de Letras e (por que não?) a um cargo eletivo, já que a politica nacional precisava de alguém com seus dotes extraordinários, talvez até na presidência. Mas processar como, se ele não estava sendo difamado? Decidiram esperar que o ego do Paulo esfriasse.


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Autor: Luis Fernando Veríssimo - Caderno Donna Zero Hora.
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22 de outubro de 2013

As qualidades de um lápis que podemos usar em nossa vida.

 
palavras, lápis, vida, qualidade

O menino olhava a avó escrevendo uma carta. E perguntou:

- Você está escrevendo uma história?

A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:

- Estou escrevendo sobre você, é verdade, entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando, gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.

- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!

- Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.

Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma mão que guia seus passos. Esta mão que podemos chamar de Deus (seja qual for o seu), deve sempre conduzi-lo em direção à sua vontade.

Segunda: de vez em quando, eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador, isso faz com que o lápis sofra um pouco. Mas, no final, ele estará mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.

Terceira: o lápis é companheiro da borracha para apagar o que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa não é necessariamente algo ruim...

Quarta: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite
que está dentro, portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.


Quinta: o lápis sempre deixa uma marca...Portanto, lembre-se: tudo o que você fizer na vida, irá deixar traços... Faça o melhor, da melhor forma...

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12 de outubro de 2013

Humor. Quem é seu arqui-inimigo?

 
Palavras. Quem é seu arqui-inimigo?

Aquele que não possuiu em toda sua vida ao menos um arqui-inimigo, que feche os olhos e atire a primeira pedra. Quem sabe assim, com algum azar, não acabe acertando alguém e possa enfim desfrutar da sensação de ter alguém no mundo que lhe odeia, deixando você livre para odiá-lo também.

Os arqui-inimigos são válvulas de escape (e fazem o maior sucesso em filmes e novelas, já na vida real...), onde concentramos toda nossa aversão e os piores sentimentos de nosso ser que são focados nesse indivíduo desprezível, que para nossa total infelicidade foi colocado no mundo para nos atormentar, cruzando nosso caminho.

Eles são a pedra que nos faz tropeçar, o quebra-molas que nos atrapalha a passagem, o corrupto que embolsa nossos impostos, ou mesmo a lombada-eletrônica que existe apenas para nos multar.

Geralmente o arqui-inimigo tem uma história em nossas vidas. Muitas vezes eram antigos amigos, que por um acaso do destino acabaram se transformando em rivais, até por fim se tornarem nossos maiores inimigos.

Em outros casos, eles já se apresentam como nossos desafetos, nos desafiando e espezinhando sempre que podem. Cheios da chamada: “antipatia gratuita”. Com raízes profundas, que podem ter se originado em eras passadas, ou ainda no berçário, quando guerreávamos com eles por uma chupeta, ficando o fato registrado de forma inconsciente na memória de ambos.

Qualquer um pode se tornar seu pior inimigo. Pegue aquela gentil senhora de cabelos grisalhos como exemplo. Sempre bondosa e parecida com sua doce avó. Você tinha uma enorme simpatia por ela, até o momento que passou a namorar e por fim se casar com a filha dela. A partir dali aquela meiga senhora se transformou em sua famigerada sogra, capaz de lhe atribuir os piores defeitos, e toda uma série de críticas sobre sua pessoa (em alguns casos, ela acaba se tornando uma segunda mãe para você, mas isto já é uma outra história).

Existem inimigos que vão e voltam. Outros nos assombram por um certo tempo e somem. Estes não podem ser considerados verdadeiros arqui-inimigos. Os arqui-inimigos se acumulam. Eles chegam e ficam para sempre torturando nossa existência. São o fardo que se leva e a cruz que se carrega. Fazem de nossas vidas um verdadeiro inferno. São dignos de nossas piores pragas e maiores maldições.

Infelizmente não existe uma forma mágica de evitá-los, pois sua presença independe de nossa vontade. Eles parecem mariposas atraídas pela luz de nosso sucesso.

Enfim, os arqui-inimigos são como espinhos em nossos sapatos, que nos machucam a cada passo da nossa caminhada. Não adianta pisarmos neles, pois só conseguiremos aumentar nosso sofrimento com esta atitude. O melhor a fazer nesses casos, é nos desfazermos daquele calçado, passando a andar descalços e felizes rumo ao nosso futuro.


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Autor: Antonio Brás Constante
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