13 de julho de 2014

O dia mundial do Rock

 
O dia mundial do Rock

Hoje, 13 de Julho, é comemorado o dia mundial do Rock. Sou fã de Rock e por isso vou publicar o vídeo da música "como Vovó já dizia" escrita por Raul Seixas em parceria com o escritor Paulo Coelho. O cantor Raul Seixas era considerado o Rei do rock brasileiro.


-Como vovó já dizia
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
(Mas não é bem verdade!)
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Hum!...

Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Minha vó já me dizia
Prá eu sair sem me molhar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Mas a chuva é minha amiga
E eu não vou me resfriar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A serpente está na terra
O programa está no ar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A formiga só trabalha
Porque não sabe cantar...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Quem não tem filé
Come pão e osso duro
Quem não tem visão
Bate a cara contra o muro
Uuuuuuuh!...

Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
É tanta coisa no menu
Que eu não sei o que comer
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
José Newton já dizia:
"Se subiu tem que descer"
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Só com a praia bem deserta
É que o sol pode nascer
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A banana é vitamina
Que engorda e faz crescer...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Quem não tem filé
Come pão e osso duro
Quem não tem visão
Bate a cara contra o muro...

Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Solta a serpente!
Hari Krishna!
Hari Krishna!...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Quem não tem filé
Come pão e osso duro
Quem não tem visão
Bate a cara contra o muro
Uhuuuu!...

Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
É tanta coisa no menu
Que eu não sei o que comer
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Só com a praia bem deserta
É que o sol pode nascer...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
José Newton já dizia:
"Se subiu tem que descer"
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A banana é vitamina
Que engorda e faz crescer...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Minha vó já me dizia
Prá eu sair sem me molhar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
Mas a chuva é minha amiga
E eu não vou me resfriar...
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A serpente tá na terra
E o programa está no ar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro
A formiga só trabalha
Porque não sabe cantar
Quem não tem colírio
Usa óculos escuro...




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21 de junho de 2014

Humor. As habilidades exigidas para planejar um assalto.

 
Palavras, Humor, Planejando um assalto

Planejar um assalto exige habilidades como em qualquer outra profissão, na história abaixo os ladrões precisam disfarçar para não chamar a atenção da polícia que se aproxima quando estão discutindo os trâmites de um assalto.

Dois homens tramando um assalto.

– Valeu, mermão?

 Tu traz o berro que nóis vamo rendê o caixa bonitinho. Engrossou, enche o cara de chumbo. Pra arejá.

– Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e pegá.

– Tá com a máquina aí?

– Tá na mão.

Aparece um guarda.

– Ih, sujou. Disfarça, disfarça...

O guarda se aproxima deles.

– Discordo terminantemente. O imperativo categórico de Hegel chega a Marx diluído pela fenomenologia de Feurbach.

– Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer que Kierkegaard não passa de um Kant com algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do século dezoito...

O guarda se afasta.

– O berro, tá recheado?

– Tá.

– Então vamlá!

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17 de junho de 2014

A alegria de aprender a ler e entender as palavras.

 
Ler e Escrever, Palavras, Histórias

Em minha opinião quem não sabe ler vive com se fosse desprovido de visão, pois não consegue decifrar as letras e nem as palavras e por isso não pode aproveitar tudo de maravilhoso que há na literatura, além de coisas simples como anotar um endereço, um número de telefone ou uma lista de compras para levar ao supermercado. Na história abaixo, intitulada Tomás aprende a ler, que me foi enviada pelo Clube das Histórias, o autor nos mostra que não há idade para aprender a ler e escrever.

Tomás sabia fazer uma vala com troncos de árvore ou cozinhar uma tortilha, mas não sabia ler. Fazia uma mesa de uma árvore e um xarope da sua seiva, mas não sabia ler. Tomás sabia tratar dos tomates, dos pepinos e das maçarocas de milho, mas não sabia ler. Conhecia as pegadas dos animais e os sinais das estações do ano, mas não conhecia as letras nem as palavras. Um dia disse ao seu irmão, José:

— Quero aprender a ler.

— Já estás velho para isso, Tomás — respondeu-lhe José. — Tens filhos e netos e sabes fazer quase tudo.

— Mas não sei ler — insistiu Tomás.

— Já que queres, então aprende! — disse José.

— Quero aprender a ler — disse Tomás a Júlia, sua mulher.

— És um homem maravilhoso, tal como és — respondeu Júlia, fazendo-lhe uma festa.

— Mas ainda posso ser melhor — replicou ele.

— Então aprende! — disse a mulher, a sorrir, enquanto tricotava. — Assim, poderás ler para mim.

— Quero aprender a ler — disse Tomás ao seu velho cão pastor.

O cão fitou-o e depois deitou-se no tapete a seus pés. Tomás começou a pensar: “Como é que vou aprender a ler? O meu irmão não me pode ensinar. A minha mulher não me pode ensinar. Este cão velho também não me pode ensinar. Como é que eu vou aprender?” Pensou durante algum tempo até que, por fim, sorriu.

No dia seguinte, levantou-se ao nascer do sol e fez o trabalho da quinta. Depois do trabalho, lavou a cara e as mãos, penteou o cabelo e a barba, e vestiu a sua camisa preferida. Comeu umas torradas e preparou uma sandes. Depois, despediu-se de Júlia com um beijo e saiu de casa. Pelo caminho encontrou um grupo de meninos e meninas que, à sombra das árvores, se dirigiam para o mesmo local. Quando as crianças entraram na escola, Tomás entrou também. Ao vê-lo, a Professora Garcia sorriu.

— Quero aprender a ler — disse Tomás.

Ela indicou-lhe um lugar vago e ele sentou-se.

— Meninos e meninas — anunciou a professora — hoje temos um novo aluno.

Tomás começou pelas letras e seus sons. Alguns meninos ajudaram-no. No recreio, sentou-se debaixo de uma árvore e ensinou algumas crianças a imitar o canto do melro e o grasnar do ganso. E contou-lhes histórias.

Depressa Tomás aprendeu palavras. Todos os dias copiava os exercícios no caderno, com esmero. Gostava muito que a professora ou as crianças mais velhas lessem em voz alta, na aula. Por vezes, desenhava enquanto ia ouvindo. Tomás ia aprendendo, mas também ensinava. Ensinou os meninos a talhar madeira com uma navalha. E a professora aprendeu com ele a fazer compota de maçã e a assobiar.

Ao fim de algum tempo, Tomás já era capaz de juntar palavras e escrever histórias sobre como salvara um pequeno esquilo, como tomara um banho no rio e como conhecera a sua mulher.

À noite, Júlia ficava a vê-lo fazer os exercícios na mesa depois da ceia.

— Quando é que vais ler para mim? — perguntava-lhe.

— Quando chegar a ocasião — respondia o marido.

Um dia, Tomás trouxe da escola um livro de poemas que falava de árvores, nuvens, rios e gazelas velozes, e guardou-o debaixo da almofada. Nessa noite, quando Júlia e ele foram para a cama, pegou no livro.

— Ora escuta — pediu.

E leu um poema sobre pétalas suaves e o doce perfume das rosas e outro sobre ondas que se esbatiam na orla do mar. Terminou a leitura com um poema de amor.

Júlia olhou o marido nos olhos.

— Oh, Tomás! — disse. — Também quero aprender a ler.

— Amanhã, depois do pequeno-almoço, querida! — respondeu ele a sorrir, apagando a luz.

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16 de junho de 2014

Mal e mau aprenda a usar estas palavras corretamente.

 
Mal e mau aprenda a usar estas palavras corretamente.

As palavras mal e mau causam muitas confusões e deixam quem escreve com dúvida de quando usá-las corretamente. Este artigo eu publiquei em 2008, já teve milhares de visualizações, mas tenho visto que a confusão é muito grande. Tenho lido muitos textos escritos em jornais, revistas e blogs em que a palavra mal é usada para descrever o significado de mau e vice-versa. A dúvida com estas palavras é muito grande e até jornalistas profissionais têm dúvida e escrevem errado e passa pelos revisores.

Nossa língua portuguesa é muito complexa e sempre deixa dúvida e até umas palavras pequenas como estas podem causar confusão. Eu nunca tive problemas com elas, sei o significado de mal e de mau e seus usos, mas resolvi fazer esta publicação para alertar os amigos que escrevem e muitas vezes nem percebem que colocaram o vocábulo errado.

A dica para usar corretamente estas palavrinhas é a seguinte: A palavra mal dever ser usada quando for antônimo de bem e a palavra mau quando for antônimo de bom. Como exemplo: O texto foi mal escrito, pois o escritor foi um mau aluno em português ou O texto foi bem escrito, pois o escritor foi um bom aluno em português.

Saliento que é apenas uma dica de alerta aos colegas que escrevem em blogs e para colaborar com a melhoria da escrita de nossos textos. Ter dúvida não é feio, feio é não procurar melhorar a qualidade de nossa escrita. Assim leia o significado das palavras mal e mau e aprenda quando usá-as para deixar  o texto correto e elegante.



No dicionário Aurélio consta o seguinte sobre a palavra mal.


Mal - Substantivo masculino.

1. Aquilo que é nocivo, prejudicial, mau; aquilo que prejudica ou fere: Não deseje mal ao próximo; “Maldita sejas pelo Ideal perdido! / Pelo mal que fizeste sem querer! / Pelo amor que morreu sem ter nascido!” (Olavo Bilac, Poesias, p. 221).


2. Aquilo que se opõe ao bem, à virtude, à probidade, à honra.


3. Estado mórbido; moléstia, enfermidade, doença: Seu mal é incurável.


4. Epidemia; calamidade.


5. Angústia, tormento, mágoa, sofrimento, aflição.


6. Desgraça, infelicidade, infortúnio.


7. Dano, estrago, prejuízo: A geada fez muito mal aos cafezais.


8. Opinião desfavorável ou caluniosa: O crítico disse mal do espetáculo; Vive a dizer mal dos outros.


9. Inconveniente, desvantagem: O mal é que só agora soube da notícia.
10. Filos. Privação ou imperfeição; mal metafísico.


11. Ét. O contrário de bem (1).


12. Bras. S. V. lepra (1).


13. Bras. N. V. raiva (1). [Pl.: males. Antônimo: bem.] ~ V. males.



Mal – Advérbio.

1. De modo mau, irregular, ou diferente do que devia ser: Os negócios vão mal.


2. De modo imperfeito; erradamente, desacertadamente, incorretamente: falar, escrever mal.


3. De maneira que não satisfaz o gosto ou vontade, ou a necessidade: Jantou mal; Dormiu mal.


4. Rudemente, duramente: O delegado tratou-os mal.


5. De maneira desfavorável ou ofensiva: Falou mal de todos.


6. Pouco, escassamente: verdades mal sabidas.


7. A custo; dificilmente, dificultosamente: Abatidíssimo, mal conseguia dar alguns passos.


8. Contra a virtude, o bem, a justiça, o direito, a probidade, a moral, as boas normas: julgar mal; pensar mal; portar-se mal.


9. Rapidamente; apenas; de leve: Mal provou a comida.


10. Nunca, jamais: Mal pensava que o doente escapasse.


11. Gravemente enfermo: O interno está mal.


12. Em desavença; em desacordo: Vive mal com os homens por amor de Deus. [Antônimo.: bem.] Conjunção.


13. Logo que; apenas; mal que: Mal chegaram, tiveram de partir.



No dicionário Aurélio consta o seguinte sobre a palavra mau.

Mau – Adjetivo.

1. Que causa mal, prejuízo ou moléstia: maus ares; fruta má.


2. Malfeito; imperfeito, irregular: tradução má.


3. De má qualidade; inferior: mau tecido.


4. Nefasto, funesto: maus acontecimentos; maus presságios.


5. V. malvado (1): pessoa má.


6. Fam. Traquina(s), travesso: menino mau.


7. Nocivo, prejudicial, ruim: mau convívio; mau negócio.


8. Árduo, difícil: maus caminhos.


9. Contrário à razão, à justiça, ao dever, à virtude: maus costumes; ação má.


10. Irrefletido, inconveniente, inoportuno: má palavra.


11. Que não cumpre seus deveres: mau pai;mau aluno.


12. Rude, áspero, grosseiro: maus modos.


13. Inábil, incapaz, desastrado: mau mecânico.


14. Sem talento; sem arte: mau ator, mau pintor.


15. Escasso, diminuto: má colheita. ~ V. anjo —, — gosto, mato —, — sucesso, má vida e má vontade.



Mau - Substantivo masculino.


16. Tudo o que é mau: Todos preferem o bom ao mau.


17. Indivíduo de má índole, malvado, de maus costumes: “Os mortos voltarão varrendo os vivos, / E os maus se afogarão na própria lama!” (Olavo Bilac, Tarde, p. 27.) 18. Bras. V. diabo (2).

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11 de maio de 2014

A importância de aceitarmos a imperfeição dos outros e de nós mesmos.

 
Contos, Histórias


Neste dia das mães publico a história que me foi enviada pelo Clube das Histórias que trata da necessidade de compreendermos as imperfeições dos outros, pois nós também somos imperfeitos e criticar os defeitos que percebemos nas pessoas que se relacionam conosco é fácil, difícil é aceitar que nos indiquem os nossos. A história tem o título: Abraçando a imperfeição e, assim, foi contada:

Quando eu era criança, a minha mãe gostava de fazer, de vez em quando, um lanche à hora de jantar. Lembro-me especialmente de um desses lanches, feito por ela após um dia de trabalho muito cansativo.

A minha mãe colocou um prato com ovos, linguiça e torradas na mesa, diante do meu pai. As torradas estavam bastante queimadas e eu recordo-me de ficar à espera de que alguém reparasse nesse pormenor. O meu pai pegou numa torrada, sorriu para a minha mãe e perguntou-me como tinha corrido o dia na escola.

Não me lembro da resposta que dei, mas lembro-me do gosto com que ele comeu aquela torrada, depois de a barrar com manteiga e compota. Quando saí da mesa, a minha mãe pediu desculpa ao meu pai pelas torradas queimadas. Ouvi-o responder:

— Não te preocupes, querida. Eu adoro torradas queimadas.

Quando, mais tarde, fui dar um beijo de boas-noites ao meu pai, perguntei-lhe se tinha gostado realmente da torrada queimada. Respondeu de um forma que nunca esquecerei:

— Filho, a tua mãe teve hoje um dia de trabalho muito cansativo e estava exausta. Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida está cheia de imperfeições e não há pessoas perfeitas. Eu também não sou um cozinheiro perfeito e nem sequer um funcionário perfeito…

Ao longo dos anos, tenho constatado e aprendido que, uma das chaves mais importantes para estabelecer relações saudáveis e duradouras, é saber aceitar as imperfeições dos outros. 

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3 de março de 2014

O homem que não conseguia dormir.

 
homens, liberdade, sono, literatura

Era uma vez um homem que um dia ficou sem sono. Queria dormir, mas não conseguia, apesar de sempre ter dormido bem. Quando fechava os olhos, não lhe saía da cabeça a tristeza que havia no olhar das crianças que se apinhavam junto da porta da casa onde morava e trabalhava. Era um homem bom que gostava do que fazia e que fora educado para obedecer às ordens dos seus superiores, estivesse onde estivesse. Nunca lhe passara sequer pela cabeça a possibilidade de um dia vir a infringir essa regra.

Esta história é verdadeira e aconteceu poucos dias antes de começar o verão do ano de 1940. Ainda há muita gente viva que se lembra bem desse homem e daquilo que ele fez, deixando de pensar em si e pensando nos outros e na sua salvação. O homem era diplomata e nascera no norte de Portugal. Chamava-se Aristides de Sousa Mendes, era casado e tinha vários filhos. A sua carreira como cônsul levou-o até à cidade francesa de Bordéus, onde lhe chegaram as primeiras notícias do começo da Segunda Guerra Mundial quando as tropas alemãs atacaram a Polónia e a Inglaterra se opôs a essa agressão, em defesa da liberdade e da democracia, declarando que faria frente, pelas armas, aos agressores.

O homem era pessoa de bem e defensor da paz. Não podia aceitar a ideia de que alguém pudesse ser perseguido, torturado e morto só por ter ideias políticas diferentes ou outra religião. Fora educado para a tolerância e por isso respeitava os direitos dos outros. À medida que as tropas alemãs invadiam países como a Bélgica ou a Holanda e se aproximavam da fronteira francesa, iam chegando a Bordéus refugiados das nações ocupadas, em busca de um visto no passaporte que lhes permitisse chegar à Espanha e depois a Portugal, apanhando mais tarde, em Lisboa, um barco ou um avião que os levasse para países como os Estados Unidos da América, o Brasil ou a Argentina, onde não havia guerra. Portugal e Espanha, governados por ditadores como Hitler, o senhor da Alemanha, não tinham entrado na guerra e iriam manter-se à margem dela, embora durante muito tempo tenham estado ao lado dos alemães e do que eles representavam.

O homem queria dormir, mas não era capaz. Ecoavam-lhe na cabeça as vozes das crianças que sofriam de fome e de sede e que, lembrando-lhe os seus filhos, tinham o direito de viver e de crescer em liberdade. De Lisboa, o cônsul português recebera ordens muito rigorosas no sentido de não deixar chegar refugiados a Portugal. Pensou e voltou a pensar, consultou a mulher e escreveu uma longa carta aos filhos explicando o que tencionava fazer e as razões dessa opção. Espreitou pela janela e viu nos olhos das crianças um sorriso fugidio que representava a última réstia de esperança. Por elas valeria a pena arriscar. Por elas e pelos princípios que defendia. Foi assim que a palavra “desobediência” entrou definitivamente no seu vocabulário. Mandou abrir as portas do Consulado de Portugal e forneceu aos funcionários carimbos e selos brancos para poderem emitir o maior número de vistos possível. A partir desse momento seria uma batalha sem tréguas contra o tempo. Cada minuto contava. Cada dia parecia uma eternidade.

Durante três dias não houve descanso para ninguém dentro do Consulado, e ainda sobrou tempo para se dar água e comida àqueles que esperavam à porta em intermináveis filas, com a esperança de que o pesadelo por fim terminasse. Pela rádio chegavam notícias da rendição da França, o que significava que já faltava muito pouco para que as tropas de Hitler chegassem também a Bordéus, perseguindo e prendendo judeus e opositores políticos ao regime nazista. Era preciso atuar ainda mais depressa. O cônsul conseguiu arranjar tempo para ir às cidades de Bayonne e Hendaye onde havia um grande número de refugiados tentando passar a fronteira em direção à Espanha. Aristides de Sousa Mendes sabia que o desrespeito pelas ordens de Lisboa teria consequências dramáticas para o seu futuro e da sua família. Ainda assim, não recuou. Sabia que a razão estava do seu lado e não estava disposto a abdicar dessa razão, que correspondia à salvação de milhares de vidas.

 — Mãe, tenho fome e sede e quero sair deste sítio — dizia a menina austríaca para a mãe pálida e exausta.

 — Talvez amanhã de manhã já possamos estar a caminho da liberdade, porque há ali dentro um homem bom que nos quer ajudar.

O homem não se deixou vencer pelo cansaço, pelo sono, pela fome ou pela sede. A vida dos outros estava primeiro. Se eles tinham pressa, a sua conseguia ser ainda maior. No Consulado, houve quem o avisasse: - “O senhor bem sabe o que lhe pode acontecer!”. Mas ele não quis saber e continuou a passar vistos, perdendo a conta às pessoas que já tinha conseguido salvar. Terão sido dez mil, quinze mil ou trinta mil? Não se sabe ao certo. Sabe-se sim que chegaram a Lisboa e que depois foram encaminhados para o Estoril, para a Ericeira, para a Figueira da Foz ou para as Caldas da Rainha. Mais tarde, a maioria conseguiu partir para países onde havia liberdade. Alguns voltaram depois do final da guerra às suas terras, outros nunca mais as quiseram ver porque não conseguiram esquecer as horas de sofrimento e perda. Três dias bastaram para que o cônsul Aristides de Sousa Mendes abrisse a milhares de refugiados as portas para a liberdade, desobedecendo a Salazar e ao regime que ele dirigia. Por isso foi prontamente banido da carreira diplomática e proibido de exercer qualquer atividade profissional, morrendo na miséria em 1954, com os filhos dispersos por países como os Estados Unidos, onde puderam estudar e seguir as suas carreiras. Num dia quente de Junho de 1940, no Rossio, em Lisboa, um menino de cabelo loiro perguntou aos pais, enquanto estes procuravam uma pensão ou um hotel onde se pudessem instalar até conseguirem arranjar bilhetes num barco ou num avião para Nova Iorque:

 — Como é que se chama aquele senhor que, em Bordéus, nos passou os vistos para podermos chegar a este país?

 O pai, não contendo uma lágrima comovida, respondeu-lhe:

 — Chama-se herói, filho. Quem faz o que ele fez por nós só pode ter esse nome.

Ainda não houve um grande realizador de cinema que fizesse um filme sobre esta história verdadeira, à semelhança do que Steven Spielberg fez com Oskar Schindler, mas pode ser que ainda venha a ser feito. Nunca é tarde para celebrar os feitos dos heróis.

Naquelas noites quentes de Junho de 1940, havia em Bordéus um português que não conseguia dormir. Não lhe saía da memória a aflição das crianças que queriam ver abrir-se a porta que as deixasse seguir o caminho até à liberdade. Essa porta abriu-se e por ela passou uma réstia de luz, desenhando no cetim negro do céu, entre as estrelas, a linda palavra “Esperança”, escrita em português como esta história verdadeira que é sempre bom contar e recontar.

Por quê? Porque é sempre possível que a tragédia volte a acontecer, onde e quando menos se espera.

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Fonte: Clube das Histórias
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22 de janeiro de 2014

O que é se encostar no INSS?

 
auxílio-doença, encostar, encostado, INSS

A língua portuguesa é rica em termos e muitas vezes as pessoas criam sinônimos informais que são mais conhecidos que o nome próprio que define um produto ou uma situação. No caso dos benefícios do INSS o auxílio-doença é conhecido por “se encostar” ou “estar encostado”. Verifiquei que as pessoas utilizam mais a frase “o que é preciso para se encostar no INSS” representando “o que é preciso para obter o benefício de auxílio-doença no INSS”.

O termo encostar ou encostado vem de um sentido deturpado do objetivo do benefício de auxílio-doença, que foi criado para garantir a renda do trabalhador que fica impedido de exercer sua atividade por doença ou por acidente. Muitas pessoas querem se encostar no INSS no sentido de ficarem sem trabalhar e recebendo uma renda mensal, mesmo que seja o salário-mínimo. Já vi muitas pessoas que estão encostado no INSS e fazem bicos, principalmente na construção civil, fazendo pequenos serviços. Quando uma pessoa perde o emprego a primeira ideia que tem é sobre o que terá que fazer para se encostar no INSS, pois ninguém pode viver sem ter uma renda.

Se você estava procurando informação sobre o benefício de auxílio-doença doença no INSS convido que leia o seguinte artigo: Quais os procedimentos para requerer auxílio-doença no INSS.

Outras informações sobre Auxílio-doença.

Os benefícios do INSS

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10 de janeiro de 2014

Qual a sua percepção sobre o valor do amanhã?

 
O valor do amanhã, Literatura, Livros e Palavras


Terminei de ler o livro O valor do amanhã escrito por Eduardo Giannetti e publicado pela editora Companhia das Letras. Ganhei o livro no Natal e, por ser um assunto de meu interesse, dediquei a lê-lo de imediato. O livro é muito interessante, pois trata do tema juros no sentido mais amplo, ou seja, como sendo tudo aquilo que estamos dispostos a pagar ou receber ao anteciparmos ou adiarmos alguma coisa em nossa vida.

Eu tenho um blog onde trato o tema sobre aposentadoria e outros benefícios oferecidos pelo INSS e muitas pessoas me perguntam se é vantagem aposentar-se agora, pelas regras atuais, ou esperar que mudem. Hoje as pessoas que se aposentam sofrem um redutor na renda mensal, chamado de fator previdenciário, proporcional à idade, ou seja, quanto mais jovem o requerente maior a perda. Essa pergunta é complexa e de difícil resposta, pois depende de muitos fatores que só a própria pessoa é capaz de verificar.

No livro que estou comentando há muitos exemplos de casos em que se pode usufruir agora e sofrer as consequências depois, cobrança futura de juros, ou sacrificar-se agora para ter um benefício futuro, receber juros posteriormente. Na questão acima o cidadão terá que ver quanto será sua perda, se aposentar-se agora, e comparar com seu ganho se esperar o tempo necessário para que as regras mudem ou mudem as condições de cálculo da renda, como a idade mais avançada, por exemplo. Terá que levar em conta se tem como sobreviver sem a aposentadoria imediata e se pode continuar contribuindo para esperar uma melhora futura.

No livro o autor faz um comparativo em que se oferece um prato de comida, bem simples, agora ou um banquete completo no final de um mês. A aceitação da proposta estará sujeita a condição alimentar do envolvido, se ele tem como alimentar-se diariamente poderá esperar o banquete, mas se está com fome e não tem meios de obter alimento escolherá a primeira opção. Essa questão é uma analogia para as decisões que temos que tomar diariamente, não existe uma decisão certa ou errada, tudo depende de nossa percepção de como poderemos viver com a decisão tomada.

Eu já ouvi algumas pessoas dizerem que se pudessem voltar no tempo, com o conhecimento que têm hoje, não cometeriam os erros que cometeram ao longo da vida. Minha ideia sobre isso é que poderemos escolher um fato em nossa vida em que tomamos uma decisão importante e, se fosse possível viajar no tempo, mudá-la e, dessa data em diante, iremos cometer novos erros, pois temos, quase diariamente, situações que exigem nossa decisão e não há conhecimento suficiente que garanta que não iremos errar em nossas escolhas.

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16 de dezembro de 2013

Um presente de Natal precisa conter amor.

 
Natal, Presente, Crianças.

Nicolau esborracha o nariz contra o vidro da montra. Do outro lado, polvilhados de neve, estão alinhados inúmeros frascos e frasquinhos, uns altos e esguios, outros bojudos, todos cheios de um líquido dourado. Perfume. Mil espécies diferentes, no mínimo! Mas não é qualquer um que cheira bem. O perfume da avó tem um cheiro forte e penetrante, como o sabonete do quarto de banho do dentista. E D. Clara, a professora, tem sempre um cheiro doce de chiclete de cereja. E a mãe? A mãe cheira simplesmente a mãe. Só às vezes, quando sai à noite – uma vez em cem anos – cheira então a L’Amour, que quer dizer “amor” e é um cheiro muito especial.

Nicolau entra na loja, cheia de pessoas que vão ainda comprar uma prenda de Natal no último minuto.

— Dê-me, por favor, alguma coisa por 50 euros e queria um embrulho bonito!

 — ouve Nicolau a um homem corpulento. E uma senhora, em casaco de pele, dá-lhe um empurrão: — Um boião de creme antirrugas com efeito triplo, por favor!

Nicolau puxa a bata a uma vendedora simpática.

— O que queres, rapazinho?

— Um frasco de 

L’Amour.

Ela dirige-se rapidamente para a prateleira.

— A água de toilete a 30, com pulverizador a 40 euros, ou o perfume a…

Nicolau olha para a vendedora, desesperado.

— Não tens dinheiro que chegue, não é?

Nicolau acena afirmativamente com a cabeça.

— Olha, está aqui uma amostra de L’Amour. Não custa nada e de certeza que a tua mãe vai ficar muito contente!

A vendedora sorri e coloca-lhe na mão uma caixinha de papel e, antes que ele possa agradecer, vai embora.

Nicolau guarda a caixinha e abandona a loja. Lá fora está a avó.

— Céus, Nicolau, mas onde é que te meteste? Não se pode tirar os olhos de ti por um segundo!

Agarra-o com força pela mão.

— Como se eu não já tivesse preocupações de sobra!

Nem mesmo no talho o larga. Aqui há montes de gansos e perus de pele branca com borbulhas. Na parede, estão pendurados coelhos esfolados com a cabeça e ainda um pouco de pelo nas patas. Nicolau começa a sentir-se mal. Tantos animais mortos. Tem de pensar noutra coisa, depressa! Na mãe. Não, na mãe, é melhor não. Ainda dói mais. A mãe, que está no hospital, numa cama branca, num quarto branco.

— Faz-me um desenho bonito, Nico, para eu deixar de olhar para as paredes brancas! — dissera ela.

E Nicolau fizera um desenho com todas as cores, exceto preto. Um desenho de Natal com um pinheiro verde decorado com velas vermelhas, bolas azuis e estrelas doiradas e, ao lado, um grande coração cor-de-rosa com as palavras: “As melhoras, mamã!”

— É o desenho mais bonito que já vi! — dissera a mãe e o médico tivera de ajudar a colá-lo na parede. Era um médico simpático. Os outros mandavam sempre Nicolau sair quando chegavam para ver a mãe. Nicolau ficava então à porta, à espera, cheio de medo, até a avó vir buscá-lo. E a mãe sorria-lhe da cama como se quisesse dizer: “Cabeça erguida! Não vai acontecer-me nada.” Também lhe explicara que lhe fora retirada uma coisa da barriga porque não devia lá estar e que em breve ia voltar a ficar tudo bem.

Nicolau puxou a avó pela manga.

— Quando é que a minha mãe volta para casa?

— Oh menino, perguntas-me isso quinhentas vezes ao dia! Daqui a duas semanas, já sabes.

Nicolau só sabe que hoje a mãe não vai estar em casa. Hoje, na noite de Natal.

— Quatro salsichas frescas, cem gramas de presunto e duzentos e cinquenta de fiambre — diz a avó ao carniceiro, que já tem gotas de suor na testa. Metido no casaco grosso e com a camisola por baixo, Nicolau também está a suar. Em casa da avó tem sempre de andar agasalhado, até com meias calças por baixo das calças de ganga. Picam tanto! E, aliás, só as meninas é que usam meias calças.

De volta à rua, Nicolau aponta para uma árvore de Natal pequena e um tanto desguedelhada.

— A nossa última, leva-a por 5 euros. — diz o vendedor.

A avó recusa.

— O que vamos fazer com ela, Nicolau? Não tenho tempo para decorá-la e vamos já para o hospital.

Nicolau abre muito os olhos, assim as lágrimas não saem logo.

— Lá também há uma bonita árvore de Natal — a avó tenta consolá-lo, — uma muito grande!

Sim, é grande, e está lá há tanto tempo, quanto a mãe está no hospital. Há uma eternidade, portanto. E com as velas elétricas acesas o dia todo.

Nicolau tira o porta-moedas do bolso.

— Só tenho três euros. Chega? — pergunta ao vendedor.

Este pega depressa no dinheiro e diz:

— Pode ser, porque hoje é Natal.

— Oh, menino! — diz a avó e, com um suspiro, entala a árvore debaixo do braço.

Em casa, desaparece imediatamente na cozinha para fazer a salada de batata que esta noite vai acompanhar as salsichas. De certeza que vai tornar a deitar cebola. Que Nicolau detesta.

Nicolau tira o suporte da árvore de Natal do armário e a caixa com as decorações. É mais fácil do que pensou. A arvorezinha é tão pequena que consegue atarraxá-la no suporte sem dificuldade. Em seguida, tira com cuidado as bolas da caixa, azuis, vermelhas e roxas, a tira de papel brilhante do infantário, as estrelas de palha e as nozes doiradas.

Nicolau pendura tudo nos ramos, agora só faltam os candelabros.

— Avó, temos de comprar velas! — grita na direção da cozinha.

— As lojas já estão fechadas — responde a avó, limpando as mãos ao avental.  — Veste-te lá, temos de sair já.

Nicolau embrulha a caixinha com o perfume num resto de papel de embrulho com coelhos de Páscoa, o que não combina lá muito, mas de certeza que a mãe não se importa. Imagina a surpresa dela ao descobrir o perfume. Para a avó não tem nada, mas ela pode sempre olhar para a árvore de Natal… Lembra-se das velas em falta e suspira. A mãe saberia o que fazer. Sabe sempre o que fazer.

A avó e Nicolau sobem para o autocarro e mudam duas vezes até finalmente se encontrarem em frente ao hospital. Nicolau sabe o caminho. Primeiro, têm de subir de elevador até ao quinto andar, depois seguir por um corredor comprido à esquerda, e virar à direita até ao quarto 513.

Nicolau abre a porta com cautela. Nunca se sabe o que vai estar do outro lado. Às vezes, a mãe está a dormir, às vezes está uma enfermeira a medir-lhe o pulso… e desta vez? Desta vez, a mãe não está! A cama está vazia, a coberta esticada. E à janela está uma figura, muito magra, que não pode ela! Mas quando se vira, vê que é mesmo ela!

Nicolau corre para junto da mãe e enlaça os braços em volta da barriga, mas não com muita força.

— Tenho férias de Natal — diz a mãe alegremente. — Três dias!

— Não temos quase nada que comer em casa! — exclama a avó.

Para Nicolau, isso não tem importância.

— Podes comer as minhas salsichas e… — Nicolau prefere sussurrar — também tenho uma prenda para ti, mamã. É uma árvore, mas sem velas.

— Ainda deve haver uma caixa do ano passado, Nico, se não, não há problema, o principal é que estamos juntos.

A mãe entrega a carteira à avó e diz a Nicolau:

— Tens de ajudar-me. Ainda estou um pouco insegura das pernas.

E Nicolau segura com força a mãe, e continua a ampará-la no táxi e nas escadas que conduzem ao apartamento. Só lhe larga a mão quando lhe oferece o pacotinho para desembrulhar.


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Autor: Sabine Ludwig Clube das Histórias 
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15 de dezembro de 2013

Pagar impostos, uma palhaçada.

 
Pagar impostos, uma palhaçada.
Todo final de mês recebemos nosso salário e podemos ver que temos um sócio. O Governo fica com uma grande parcela que chama de imposto de renda, mas que na verdade é imposto sobre salários. Só assalariado paga impostos, os que realmente têm renda nada pagam ou pagam um valor simbólico. Este esquema é muito proveitoso para o Governo, pois o imposto sobre salário garante a arrecadação sem nenhum esforço. Não precisa calcular, cobrar, o empregador fica responsável por tudo, o Governo só coloca no bolso e repassa aos políticos para que gastem.

E não é só o imposto de renda, a quantidade de impostos e taxas que pagamos durante o ano é uma fábula. No final do ano recebemos o 13º e novamente o valor vai todo para pagar impostos, pois temos que pagar o IPVA, IPTU e como recebemos a primeira parcela antecipada na segunda vem o desconto da Previdência Social e do imposto de renda e com isso o valor fica bem reduzido, por isso me sinto como o personagem da charge acima, um verdadeiro palhaço. A charge foi feita pelo Iotti e publicada no jornal Zero Hora.



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