Deu a louca nas fábulas infantis.

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Deu a louca nas fábulas infantis


Se as fábulas infantis de outrora fossem escritas hoje em dia, tudo seria diferente, o Lobo Mau estaria mal, muito mal, combalido na cama da vovozinha, que teria saído de casa para passar trotes em algum telefone público (se na cidade de Canoas isso acontece, porque não poderia ocorrer em fábulas?). O lobo teria sido vítima dos três porquinhos, que lhe contaminaram com a gripe suína. Nesta história ao invés dele ter soprado neles, foram eles que assoaram o nariz perto dele.

Os porquinhos por sinal, não seriam apenas três, mas sim, milhares, que atirariam lixo pelas janelas dos carros, ou em terrenos baldios, ou ainda despejando detritos industriais em rios, sem preocupação nenhuma com reciclagem ou meio ambiente, e teriam a alcunha de sociedade.

Se não bastasse a gripe, o lobo ainda seria acusado de atentado violento ao pudor e canibalismo contra uma tal Chapeuzinho Vermelho, uma das lideres do comando vermelho, e conhecida no bosque encantado como a maior traficante de “docinhos” alucinógenos da região.

No caso de João e o pé de feijão, seria João que passaria o conto do vigário nas negociações, trocando vacas loucas por sacas de feijão, que ficariam armazenados em gigantescos silos subsidiados pelo governo, que ainda pagaria a João para guardá-los, mantendo assim o preço de mercado.

João também aprontaria das dele com sua irmã Maria, existindo inclusive boatos de que juntos eles teriam saqueado uma pobre velhinha, vandalizando sua casa e ainda chamando a coitada de bruxa. Tudo isso em decorrência do vício de ambos por “docinhos”, onde faziam de tudo para consegui-los. Seriam considerados como dois exemplos de jovens perdidos no bosque encantado.

A Cinderela da atualidade passaria o rodo na casa da madrasta, deixando-a sem nada, e fugiria com um tal de príncipe, marginal conhecido, que não engolia sapos de ninguém. Já a Branca de neve ganharia este apelido em decorrência do pó que forneceria aos seus convidados em suas festinhas privativas para políticos entre outras personalidades influentes, utilizando anões nas suas operações, que em áureos tempos também já foram conhecidos como anões do orçamento, em terras brasilis.

Nos dias de hoje Pinóquio não seria literalmente um cara de pau, mas ainda assim seria um baita mentiroso, provavelmente entraria na política, mas ao invés de crescer o nariz, o que cresceria absurdamente seria sua conta bancária.

Estamos vivendo em um mundo onde os contos de fadas foram trocados pelos games, os príncipes e princesas por uma tentadora carreira (entenda-se isso em todos os sentidos) e a infância cada vez mais vem deixando de acontecer em meio a uma antiga bolha de fantasias, onde era a cegonha que trazia os ovos de páscoa e Papai Noel era pregado na cruz. As novas fontes de utopia são uma mescla entre o real e o digital. Um mundo em que pequenos e inquietos “pré-adultos” se formam antes mesmo de serem adolescentes.

Enfim, um mundo onde muitos adultos sentem-se tão obsoletos quanto seus saudosos contos de fadas de antigamente, sem conseguirem assimilar o que estas mudanças causarão as futuras gerações, que já há um bom tempo vem atropelando estas recordações com uma carruagem envenenada de abóboras transgênicas.

O texto acima foi escrito por Antonio Brás Constante, veja mais obras do autor no Recanto das Letras.
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13 comentários:

  1. Bom dia Catarino!
    O texto é muito interessante e eu ainda me fartei de rir, imaginando o Lobo Mau a fugir dos três Porquinhos só porque eles ameaçaram tossir!
    Sem dúvida que as novas tecnologias revolucionara as brincadeiras e passatempos infantis. No entanto não acredito que tenham tirado a capacidade de imaginação da crianças, nem tão pouco fazê-las crescer "mais depressa". Pelo contrário. Penso que as crianças adquirem o sentido da responsabilidade mais tarde do que há quatro décadas atrás. A sua sua capacidade criativa, essa eu penso estar muito mais desperta, com tudo o que eles têm à sua disposição. Há é que saber dosear; e aqui entra o constante acompanhamento dos pais.
    Abraços
    Luísa

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  2. Catarino,
    Texto excelente!! Dei umas boas gargalhadas.Ele descreveu bem os dias de hoje e como seria a nova versão da história.Amei!!!!

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  3. Saudações!
    Amigo Catarino,
    Que Post Fantástico!
    O texto em tela coloca o dedo na ferida que muitos fingem não perceber.Faz Tempo. Enquanto isso um outro tanto continua a se empanturrar com o lixo nosso de cada dia, entorpecidos e anestesiados, como se nada tivesse acontecendo...
    Parabéns ao escritor,Antonio Brás Constante!
    Parabéns pelo belo Post!
    Abraços!
    LISON.

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  4. Gostei da relação irônica do conto de fadas com nossa realidade.

    Originalmente, os contos de fadas foram escritos num tempo em que as crianças guardavam a beleza da ingenuidade e não se entregavam à ociosidade eletrônica (claro, naquele tempo não havia computadores etc).

    Hoje, no entanto, hoje as crianças só sabem da existência dos contos de fadas, porque a escola relata. E quando elas escutam acham que o gênero é comédia.

    Catarino, abraços e bom final de semana.

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  5. Catarino,

    Este é um post digno de final de semana, mesmo publicado numa quinta-feira. Ri um bocado e só parei ao pensar e chegar à triste conclusão de que os personagens "mais queridos" seriam a Branca de Neve e os sete anões, e o Pinóquio.

    A madeira que o Gepeto usou para fazer o Pinóquio era "das boas", tanto que os políticos daqui usam a mesma para suas "caras-de-pau", porque não dá cupim.

    Abraço do amigo,

    Antonio

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  6. Excelente analogia dos contos de fadas infantis com a situação atual vivida sobretudo por crianças e jovens que na época atual perderam sua infância propriamente dita em prol das máquinas, dos games e dos computadores.
    Abraços,

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  7. Olá Catarino!

    Texto muito bem escrito. O autor está de parabéns!

    Meu amigo, vim aqui me despedir e dizer que este é meu último comentário, como Iza, nos blogues dos amigos.

    Gostaria de agradecer a todos os seus comentários em meus blogs e dizer que serviram para que eu amadurecesse no mundo virtual.

    Continuarei lendo seus escritos mas, não comentarei mais como Iza.

    Como Iza a gente ainda se vê por aí, nos sites de relacionamento twitter, faceboock.

    Beijos no coração!

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  8. Olá, Catarino!!!
    Foi-se o tempo em que as crianças se divertiam com os contos infantis. Era a época da inocência, onde dormiamos ouvindo a nossa mãe contar estas estórias.
    Hoje, as crianças já nascem pseudo-adultos e não se divertem mais como a algum tempo atrás. É uma pena, bons tempos aqueles.
    Abraços,
    Rose

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  9. Excelente Catarino!

    E quantas estórias a mais poderíamos acrescentar junto a estas que você mencionou?
    Prefiro lembrar dos meus antigos livros de estórias infantis...
    Mas pude dar boas risadas com o texto publicado.

    Beijos,

    Rosana.

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  10. Amigooooo,
    Obrigada pela visitinha lá no Compartilhando as Letras, fiquei muito feliz.Obrigada!!!

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  11. Acredito que poderíamos resgater a utopia, para construir um novo modelo de sociedade.
    Estes dias vendo entrevistas do nosos alunos a respeito da fraude do ENEM, poucos se referiam a fraude em si, mas ao tempo individual perdido por cada um nas provas.
    Por isso as fábulas perderam para esta geração o sentido.
    Falam de algo fora de moda e infelizmente de valores que já não cultuamos.

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  12. Excepcional o texto, magnífica visão literária atual!!!

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  13. Hoje levei minha filha na festa de 09 anos de uma amiguinha. A mãe comentava que a filha não quer mais brincar de bonecas, pq acha bobo. A mãe ficou aborrecida, quem disse que brincar nesta idade era impróprio??! Então eu lembrei que na hora de comprar o presente ela comentou para não comprar nem Barbie nem Susie pq a amiga não gostava mais de bonecas. Ainda bem que a minha ainda vive este mundo da construção através da brincadeira.

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