Os monstros que nos cercam.

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Os monstros que nos cercam.


No texto abaixo o autor, Antonio Brás Constante, faz uma divertida comparação dos monstros que ficaram famosos nas histórias com os monstros reais que são os seres humanos.

Assim como Hollywood costuma fazer continuações de seus filmes, um escritor também pode valer-se de argumentos anteriormente escritos para criar novos textos (o primeiro texto “Zumbis e Zumbidos” está disponível no site:recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc). Visto que os vampiros voltaram a estar na moda através de filmes adolescentes como o longa Crepúsculo, resolvi falar novamente sobre estas criaturas noturnas e sanguinárias que vivem mortas para nos matar de susto.

Se levarmos em conta que os vampiros assim como os zumbis são mortos-vivos, podemos imaginar algum grau de parentesco entre eles. Talvez os vampiros representem o lado nobre da família, com seus castelos, roupas elegantes, jeito com as mulheres, etc. Já os zumbis são uns coitados, andam como se tivessem acabado de ser atropelados, suas roupas são uns trapos, moram literalmente em um buraco com uma lápide em cima, e assustam até defunto.

Enquanto os vampiros com seu jeito refinado preferem cair de boca em um bom sangue fresco, geralmente extraído do pescoço de belas mulheres. Os zumbis pegam o que aparecer pela frente, tem uma predisposição para comer cérebros, mas isto não parece aumentar em nada sua parca inteligência. Se por um lado os vampiros são podres de chiques, por outro os zumbis são apenas criaturas podres.

O vampiro fica com o filé mignon, dispõe de vários poderes, pode virar fumaça, transformar-se em animais ferozes e morcegos. Eles se deslocam de um lugar para o outro em grande velocidade, tem uma força descomunal e nunca despenteia o próprio cabelo, cuidadosamente penteado com gel. Não é fácil matar um vampiro, aliás, é tão difícil quanto cassar ou incriminar certos políticos que perambulam por aí.

Para o zumbi sobra apenas o osso. Ele não tem poder algum, está sempre faminto e geralmente anda em bandos juntamente com outros zumbis ainda mais miseráveis que ele. Não são nada eloqüentes. O máximo que se permitem é soltar uns gemidos que apavoram menos do que aqueles que ouvimos nas filas do SUS. Vez que outra avisam que vão devorar o cérebro de alguém, utilizando seus dentes podres para quebrar a caixa craniana e se esbaldar na massa cinzenta que lhes der sopa. Se olharmos os filmes de terror, poderemos notar que qualquer coisa mata um zumbi, algo deveras misterioso, já que tecnicamente eles já estão mortos.

Em se tratando de personagens de filmes de terror, algumas outras curiosidades anda podem ser escritas, por exemplo, podemos supor que o monstro de Frankenstein surgiu dos delírios de um cientista louco que era viciado em quebra-cabeças, o lobisomem nada mais é do que um mascote canino vitaminado, que se liberta de sua coleira nas noites de lua cheia, virando uma fera transloucada toda vez que lhe chamam de lulu.

Enfim, em um mundo onde se criam bombas cujo único intuito é matar o maior número possível de “inimigos”, onde se mutilam e estupram crianças, onde pessoas morrem de fome, de sede, ou por ignorância, os monstruosos vampiros, os zumbis, lobisomens, mulas-sem-cabeça, sacis-pererê, ou qualquer outra criatura das trevas de nossa imaginação, não chegam nem aos pés do pior de todos os monstros, o ser humano.

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Um comentário:

  1. Catarino,
    O texto é muito divertido. O autor a brincar, lá vai dizendo aquilo que é a grande verdade: os monstros que nos fizeram arrepiar na infância e que povoaram a nossa imaginação na adolescência, são seres inofensivos e até amorosos.

    Grande abraço
    Luísa

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