O homem e sua tendência explosiva.

By
O homem e sua tendência explosiva
Nos primórdios de nossa existência éramos denominados apenas como “homo” (em uma época onde ainda não sabíamos o que significava “primórdios”, “existência”, “denominados” ou mesmo quaisquer outros tipos de expressões, visto que elas ainda não existiam), e dividíamos as árvores com nossos demais parentes primatas.

Depois fomos ficando pretensamente inteligentes e resolvemos adicionar o “sapiens” a nossa definição, tentando enfatizar e afirmar para nós mesmos que nos tornáramos criaturas inteligentes. Hoje em dia o homo já devidamente civilizado e pasteurizado perdeu a letra “H” e virou marca de sabão em pó. Passamos de criaturas ao status de criadores, fabricando do chinelo de dedos ao clips de papel, e em meio a tanta genialidade achamos um jeito de destruir o que construímos (ou não), construindo bombas para destruição.

O homem tem mania de estourar as coisas, alguns estouram o ventil, outros a camisinha ou ainda o horário de serviço, e por aí vai. Ao que parece tudo começou na China, com a invenção da pólvora, mas o gosto por explodir tudo teve inicio mesmo com as guerras. Para quem não percebeu, a guerra tem pontos em comum com o casamento, com pequenas diferenças. Por exemplo, enquanto no matrimonio duas pessoas se encontram para se tornarem uma, através dos enlaces dessa união, ou seja, no sentido figurado, na guerra outras duas pessoas se encontram e buscam também se tornarem apenas uma (no sentido literal da coisa).

O homem tem certo fascínio mesclado com preocupação por estouros, visto que a semelhança entre um acionista e uma gestante é que ambos entram em desespero quando descobrem que a bolsa estourou.

Primeiro foi à vez da lei e da ordem tentar detonar com a marginalidade, estourando desmanches, jogatinas e bocas de fumo, agora os ladrões resolveram dar o troco, mas ao invés de estourar a boca do balão, acharam mais lucrativo estourar agencias bancárias.

O indivíduo (endividado ou não, mas geralmente em dívida com a sociedade), junta alguns camaradas seus (tudo sangue bom – conforme comentários de possíveis vampiros), e mesmo não sendo ainda época de São João, resolvem formar uma quadrilha, provavelmente enquanto consomem uma erva, dessas que não se coloca no chimarrão.

Eles vão às agências, sem que tenham por lá conta corrente ou talão de cheques (já que a ideia deles não é estourar o limite do cheque especial), e munidos com bananas de dinamite visam obter uma banana de dinheiro.

O pior é que daqui a pouco estas pragas sociais vão começar a estourar escolas, ou até hospitais, extorquindo grana para não matar ninguém, ou quem sabe a sociedade acabe surtando de vez e ao invés do tradicional linchamento, passem a explodir prisões e celas nas cadeias, já que construir novas não parece estar resolvendo nada.

Porque uma coisa é certa, a paciência das pessoas tem um limite, e já que quatro meses por ano do nosso suado salário são pouco para se resolver a situação cada vez mais caótica da segurança (para não falar do resto), quem sabe substituir o dinheiro na cueca e meias dos nossos “representantes” por algum tipo de explosivo plástico, mandando eles para o inferno ao qual pertencem, não comece a moralizar esta zona onde vivemos, e assim o “Homo” pare de usar seu “sapiens” para lograr os outros.

O texto acima foi escrito por Antonio Brás Constante com o título Da boca de fumo a boca do caixa (Estourando Tudo). Veja mais da obra do autor em Recanto das Letras. A publicação do artigo tem a autorização do autor.


Se gostou do post subscreva nosso FEED.
Fonte da imagem: Dálcio
Conheça o SHOPPING DO CATARINO
Cópias não permitidas - www.palavras.blog.br
Protected by Copyscape Online Plagiarism Check

2 comentários:

  1. Muito boa a forma como o texto foi construido e o assunto abordado.
    Estourar a bolsa foi a melhor parte! Todo mundo cheio até aqui! E é verdade, haja visto a expressão "saco cheio". E saco cheio uma hora estoura mesmo!

    ResponderExcluir
  2. Se estoura!!!, que nem bomba atômica, às vezes.
    Estava com saudades, passei também para falar um oi.
    ABÇão e bom domingo.
    MarGGa Duval

    ResponderExcluir

Deixe sua opinião, ela é muito importante para nosso trabalho.

Popular Posts