A polêmica do dia nacional da vacinação.

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A polêmica do dia nacional da vacinação

A introdução do Dia Nacional de Vacinação, que neste ano completa três décadas, representa um capítulo tão glorioso quanto instrutivo na história da saúde pública brasileira, um memorável programa que ensinou muitas lições. Vamos lembrar que o alvo inicial desse programa foi a poliomielite ou paralisia infantil, uma doença que, no mundo, acometia muita gente, e não só crianças: um paciente famoso foi o presidente americano Franklin Roosevelt. Sua invalidez, de certa maneira, constituiu-se em estímulo para a pesquisa de vacinas nos Estados Unidos.

Assim, Jonas Salk criou a vacina injetável de vírus mortos e Albert Sabin a vacina oral de vírus atenuado. Esta, mais prática, acabou se impondo. Podia evitar a doença, mas como fazer com que chegasse à população?
O Brasil já tinha experiência em campanhas de vacinação. A primeira delas, contra a varíola, foi conduzida por Oswaldo Cruz em 1904 e terminou com um levante popular contra a vacina obrigatória. Mas em 1962 o Brasil engajou-se em uma campanha mundial de vacinação (contra a varíola, ironicamente), e esta teve muito êxito, terminando de vez com a doença.

Por que não fazer o mesmo com a poliomielite? Esta pergunta era reforçada pelo fato de que a rede de postos de saúde vacinava muito pouco, menos de 50% das crianças menores de um ano. Em dezembro de 1979, ocorreu uma epidemia de poliomielite na fronteira entre Paraná e Santa Catarina. Era ministro da Saúde o piauiense (mas gaúcho de adoção: para nosso orgulho, começou sua carreira de sanitarista na Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul) Waldyr Mendes Arcoverde. Notável planejador, Arcoverde convocou uma reunião técnica da qual resultou a proposta de criação de um Dia Nacional de Vacinação.

Surgiram resistências. Uma, previsível, vinha de sanitaristas que defendiam a proposta de melhorar o desempenho das unidades de saúde (mas as duas coisas, viu-se depois, não eram excludentes). A outra reação foi surpreendente. Vinha do próprio Albert Sabin, que, casado com uma brasileira, morava aqui, e fora convidado para assessorar o Ministério da Saúde. Sabin não acreditava que o Brasil pudesse realizar uma vacinação em massa num único dia. Além disso, queria que fosse realizada uma pesquisa para averiguar o número de pessoas com sequelas de poliomielite, o que, aos técnicos do ministério, parecia dispensável, sobretudo numa situação de verdadeira emergência sanitária.

Temperamental, Sabin foi à mídia e botou a boca no mundo, dizendo que a campanha seria um erro. Errado estava ele: o Dia Nacional de Vacinação teve aceitação extraordinária, e acabou sendo reconhecido por instituições como a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Panamericana da Saúde. Mais que isso, foi incorporado à cultura de nosso país. Faz parte do calendário de nossa gente como um dia de festa. Uma festa da saúde.


O texto acima foi escrito por Moacyr Scliar e foi publicado no caderno Vida do Jornal Zero Hora, sobre o dia nacional da vacinação que está ocorrendo deste sábado em todo o Brasil e é um sucesso mundial em saúde pública.


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2 comentários:

  1. Três décadas de grande importância para toda a população brasileira,é vacinação no Brasil é uma das mais amplas do mundo (e o melhor gratuito)
    Um Abraço, meu amigo Catarino.

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  2. Oii Catarino

    Polemicas a parte, ma scom cretza o dia da vacinaçãoé de total importancia, para a prevenção da saude,principalmente das crianças , pois devido ao dia da vacinação, varias doenças foram combatidas.

    Bjs

    ResponderExcluir

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