Dica de saúde. Os riscos e as vantagens das “consultas” à internet.

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Dica de saúde. Os riscos e as vantagens das “consultas” à internet.

O acesso ilimitado à informação e à desinformação por meio da internet gerou o hábito de vasculhar a rede em busca de doenças e tratamentos: a consulta ao Dr. Google. A última edição da Revista da Amrigs (Associação Médica do Rio Grande do Sul) publica estudo sobre a percepção do fenômeno por parte dos médicos. Inseridos os dados “no programa Epidata, versão 3.1 e analisados no software SPSS, versão 16.0” – estamos definitivamente dominados pela informática, emergiram interessantes resultados.

Na opinião dos profissionais, enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) apenas 2,6% dos pacientes procuram informações na rede, entre os clientes privados (aí inseridos convênios) esse número ascende a 65%. Entre os médicos ouvidos, 50% se mostram motivados e contentes, 25% indiferentes, 14% têm sentimentos contraditórios, e 11% se sentem incomodados com a nova moda.

Argumentam os insatisfeitos que: (1) muitos dos pacientes, influenciados pela rede, passam a sentir alguns dos sintomas que encontraram descritos; (2) convencem-se de que são portadores desta ou daquela patologia, daí resultando automedicação; (3) sofrem desnecessariamente, por se imaginarem portadores de doenças graves; ou, ainda, (4) deixam de procurar auxílio aos primeiros sinais de enfermidade, convencidos de que não são importantes.

O leigo pode até mesmo encontrar na internet informação correta, mas só o médico possui a formação necessária para fazer dela o uso adequado. Resulta que, além do diagnóstico e da construção da estratégia terapêutica individualizada – tarefa que os médicos vêm realizando há mais de 10 mil anos, estão inexoravelmente condenados a reservar parte do seu tempo para corrigir informações ou interpretações equivocadas, oriundas do mundo virtual.

Resta-nos perguntar: será esse comadrismo eletrônico mais perigoso do que o tradicional? Creio que não. As pessoas sabem que mais de 90% do conteúdo da web é lixo, ainda que muitas vezes bem-intencionado. Provavelmente, muito maior venha sendo a dificuldade dos médicos em vencer a “sabedoria popular”.

Em nosso Estado e há poucas décadas (eu mesmo presenciei muitos casos), centenas de crianças morriam de tétano neonatal porque parteiras, avós e comadres “sabiam” que colocar esterco seco de vaca sobre o cordão umbilical ajudava a fazê-lo “cair sequinho”.

O risco maior da web continua sendo o mesmo do uso dos “saberes tradicionais” e dos “chazinhos”: perder a oportunidade de procurar o médico a tempo de evitar que o problema se torne irreversível, ou mesmo fatal. Mas nem tudo são mazelas nesse imenso e caótico universo: 58% dos profissionais ouvidos afirmam recomendar sites confiáveis, onde seus pacientes poderão saber mais sobre sua patologia, aumentando com isso a adesão ao tratamento. Im media virtua!

Fonte: O texto acima foi escrito por Paulo de Argollo Mendes, presidente do Sindicato Médico do RS e publicado no jornal Zero Hora de 14.01.2011.


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4 comentários:

  1. A (des)informação na rede é realmente tão útil como assustadora. Penso que os utilizadores tendem a ter cada vez mais consciência disso, à medida que se habituam a ser criteriosos nas suas pesquisas.
    Abraços

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  2. Olá Catarino,em 2008 tive um problema que o ir ao médico não resolveu.(pelo menos no meu caso)
    Eu descobri perfeitamente o que era buscando informações no google,achei fantastico esse google rss.

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  3. Luísa
    É preciso ter cuidado com as informações e não substituir o médico pela internet.

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  4. Floraisonline

    O perigo está em desacreditar o médico e fazer um tratamento tirado da internet, mas há muitos sites com informações corretas. Eu mesmo gosto muito de ler sobre as doenças.

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