O amor das mães melhoram a saúde dos filhos.

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O amor das mães melhoram a saúde dos filhos.

Para viver com saúde é preciso cuidados durante todas as fases da vida, mas logo ao nascer precisamos da mãe para nos proteger e dar carinho. Tudo o que acontecer nesses primeiros anos vai refletir em toda nossa vida. No texto abaixo o médico Jose J. Camargo fala dos riscos que os avanços da ciência, na área da fecundação, podem proporcionar ao relacionamento mãe e filho. O artigo foi publicado no caderno Vida do jornal Zero Hora.

A primeira descoberta de quem convive com a medicina de alta complexidade em pediatria é a intensidade da relação afetiva entre pais e filhos, que transpõe limites, despreza adjetivos, desafia registros e humilha os que falam de como criar filhos sem tê-los.

O desvelo extremado das mães, e de muitos pais que se comportam como verdadeiras mães, é exacerbado na doença, por tudo o que ela representa de ameaça na perspectiva de perda.

Provavelmente a condição mais aguda de desprendimento envolve a doação de órgãos para transplante intervivos, uma situação dramática na qual se descobre que não há limites no que os pais possam fazer para tentar salvar suas crias.

Esse tipo de desprendimento altera comportamentos e impressiona que essas mães façam cirurgias dolorosas para doar seus órgãos e não se queixem de dor, como que se pedir analgésicos diminuísse o tamanho do gesto.

Mas mesmo em situações corriqueiras é comovente vê-las, com os filhotes no colo, varando madrugadas, sem fome e sem sono.

No extremo oposto, a ciência moderna tenta explicar as discrepâncias desse padrão, quando mães desnaturadas abandonam suas crias em banheiros de aviões ou em latas de lixo.

O que há de errado com elas?

Há alguns anos numa publicação da Nature, cientistas suecos relataram a experiência com ratas das quais haviam removido um pró-gene chamado fos-b, que tem relação com o comportamento. O achado surpreendente foi que as ratas sem o fos-b, ao parirem, ignoravam suas crias que morriam de frio e fome, enquanto que as ratas normais, em cerca de 20 minutos depois do parto tinham todos os filhotes protegidos para amamentá-los e aquecê-los.

Aparentemente se descobriu o gene do instinto materno e é provável que, no futuro, essas mulheres sejam tratadas não mais como criminosas, mas como enfermas.

O progresso inexorável da ciência abre caminhos tão deslumbrantes como assustadores. Os bancos de sêmen oferecem cadastros de doadores com características físicas, intelectuais e de personalidade, que permitem às interessadas produções independentes programadas, sem a interferência de parceiros indesejados.

Casais de lésbicas decididas a procriar podem recorrer a esses bancos e se dar ao luxo de serem inseminadas pelo mesmo doador de modos a terem filhos, irmanados pelo lado paterno. Claro, sem que o doador saiba disso, até porque ele, afetivamente, seria um intruso indesejável.

Recentemente, cientistas japoneses anunciaram outro tsunami na área da inseminação artificial: produziram um espermatozoide in vitro, a partir de restos celulares de testículos de camundongos, e com ele fecundaram um óvulo.

Logo, logo, será possível comprar esses ingredientes da procriação, em algum bazar, e quem sabe, sem juros no cartão!

O inquietante desse progresso é a imprevisibilidade do comportamento afetivo desse produto artificialmente gerado. O instinto materno continuará irretocável? Haverá reciprocidade de afeto? O avanço da ciência é irrefreável, mas assusta que o futuro possa ser robotizador.

Sabemos cada vez mais de tecnologia, mas lamentavelmente nas receitas de laboratório não há como administrar as indispensáveis pitadas de afeto.

E afinal, o melhor de nós é feito disso!


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