Dicas de saúde. O medo de doar órgãos.

By
Dicas de saúde. O medo de doar órgãos.

A quantidade de pessoas que aguardam uma doação de órgão para continuar vivendo é muito grande e muitos morrem antes de conseguir. Muitas famílias não fazem a doação e essa atitude precisa ser mudada, por isso o médico Jose J. Camargo escreveu o texto abaixo onde explica como é feito o diagnóstico de morte cerebral para que seja possível a retirada dos órgãos. O médico Jose J. Camargo é o diretor do Centro de Transplantes da Santa Casa de Porto Alegre e o artigo foi publicado no caderno Vida do jornal Zero Hora.

O índice de doadores de órgãos por milhão de habitantes, por ano, é reconhecido com um dos mais confiáveis indicadores de desenvolvimento social, de uma região ou País. Em resumo, mais ignorância, mais misticismo, menos doação de órgãos.

Um das justificativas mais constantes na negativa da doação é: “tenho medo de ser internado com selo de doador na carteira e ter a minha morte antecipada para que meus órgãos sejam transplantados em outras pessoas”.

Esta preocupação revela total desconhecimento do que significa a morte encefálica, única condição em que é possível retirar órgãos de um indivíduo morto para transplantar em outros pacientes. Se as pessoas entendessem seu significado, perceberiam o absurdo desse temor.

A morte encefálica, provocada por tiro ou pancada na cabeça – ou, eventualmente, por uma hemorragia cerebral espontânea – resulta sempre do inchaço do cérebro, único órgão localizado dentro de uma caixa rígida, que é o crânio. Sem ter para onde expandir, ele acaba comprimindo sua própria circulação e morre, porque deixa de receber o sangue, veículo para o transporte de oxigênio e glicose, substâncias vitais para a sua sobrevivência.

Isso também dá ideia da irreversibilidade do quadro e da segurança desse diagnóstico: um órgão tão delicado, que morreria se ficasse quatro ou cinco minutos sem receber oxigênio, agora está definitivamente privado dele por interrupção da entrada de sangue no cérebro.

A propósito: nenhuma retirada de órgão é autorizada sem a documentação por imagem de que não há mais circulação cerebral.

Aprendido porque o cérebro morre, é importante entender que não se pode provocar sua morte por meio de nenhum recurso clínico ou intervencionista, por nenhuma terapia relapsa ou exagerada, nem mesmo por qualquer subtração ou overdose de medicamentos.

Em síntese, não é possível provocar a morte do cérebro e preservar o coração batendo durante 24 ou 36 horas, para que os outros órgãos sejam aproveitados em transplantes, sem um trauma craniano de grande intensidade.

E, convenhamos: pistolas, bastões de baseball e guard rails não constam na moderna terapia intensiva.


Se gostou do post subscreva nosso FEED.
Cópias não permitidas www.vivercomsaude.com
Conheça o SHOPPING DO CATARINO
Protected by Copyscape Online Plagiarism Check

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe sua opinião, ela é muito importante para nosso trabalho.

Popular Posts