Palavras. Como acabar com a analfabetização no Brasil.

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Palavras. Como acabar com a alfabetização no Brasil.

Interessante, parece que os meios de comunicação estão fazendo eco às manifestações que, principalmente no início do atual governo federal, vêm sendo feitas de que a educação formal em nosso país está mal e que precisamos encontrar soluções para melhorá-la. Será que acordamos para o grave problema?

Entretanto, não vi e nem ouvi um comentarista ou político sequer apontar onde está o cerne do problema da nossa educação formal. Vários afirmam que devemos dar maior atenção ao ensino básico, no que estão certos. Outros insistem em que devemos melhorar os salários dos professores e as condições de trabalho dos mesmos, o que também é uma verdade.

Mas o mais grave, o pior e o mais urgente problema a ser corrigido na área educacional em nosso país está na alfabetização das nossas crianças.

A Comissão de Educação da Câmara Federal em 2003, na conclusão do seminário que realizou afirma: “Dentre os graves problemas que afetam a qualidade da educação no Brasil, nenhum é maior do que o da alfabetização das crianças”.

Em abril de 2006, o MEC torna público que: “O péssimo desempenho do Brasil nas avaliações nacionais e estrangeiras que medem a capacidade de leitura e escrita dos estudantes levou o Ministério da Educação (MEC) a questionar oficialmente a eficiência do modelo de alfabetização mais aplicado no país”.

As pesquisas nacionais e estrangeiras, há anos, comprovam que somos um país de analfabetos funcionais, pois quase 80% da população se encontra nesta condição, confirmando o que a Comissão de Educação afirma e respaldando a posição do MEC.

O principal método de alfabetização aplicado no Brasil é o do construtivismo e que se encontra estratificado em nosso país, “formando” analfabetos funcionais, alfabetizadores que não sabem instrumentalizar os novos cidadãos e atrasando o progresso da nação.

Se não houver uma mudança pedagógica, particularmente em relação à alfabetização, pouco resolverá pagar bem professores, equipar melhor as escolas, pois continuaremos com uma população majoritariamente de analfabetos funcionais, tendo em vista que nos encontramos pedagogicamente equivocados na base, ou seja, na alfabetização. Países desenvolvidos dispõem de ação pedagógica específica para a primeira série do Ensino Fundamental, por ser a base para tudo o que virá após, pois alfabetizar não é um processo que se desenvolva por anos, mas é função específica para o início da educação formal, na primeira série do Ensino Fundamental.

É possível termos perspectivas positivas se possuímos uma nação cuja população não sabe ler ou, se consegue ler, não entende o que leu, tendo como causa principal uma alfabetização malfeita?

Como corrigir esse equívoco? Ora, aplicando o construtivismo lógico, que em quatro meses as crianças são corretamente alfabetizadas. Mas isto não interessa para o status quo dirigente na área da educação.

Não temos escolha: ou mudamos na base, ou o país será travado em seu desenvolvimento, inicialmente de cada cidadão e por consequência da nação.

Qualquer argumento esmorece diante deste fato. Esta é a realidade que nos aflige e que os dirigentes da área educacional e dos cursos de magistério não conseguem ou não fazem questão de enxergar.

Portanto, mudemos para melhor a base que o resto melhorará por consequência.

Autor: Agenor Basso Jornal Zero Hora.
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