Palavras no Natal. Que valor você dá a sua vida?

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A vida é o maior e melhor presente que Deus nos deu e por isso temos que cuidar dela com toda a nossa força. Neste Natal desejo que todos tomem consciência que o valor da vida não tem preço. E você que valor dá a sua vida? O artigo abaixo, escrito por JJ Camargo e publicado no caderno vida do jornal Zero Hora, conta a história de dois homens e o tratamento que deram à suas vidas.


O Paulo Roberto e o Clóvis nunca se encontraram. Tudo bem que a geografia não ajudava, afinal, um era gaúcho e o outro pernambucano. Mas estavam mesmo isolados por essa indiferença farpada que separa ricos e pobres, poderosos e insignificantes. Melhor assim: se o destino favorecesse um encontro, não saberiam o que dizer. No máximo, poderiam comentar a escassez de pulmões que os assemelhava. Mais nada.

O Clóvis vivia em Caruaru, que abandonou de olhos marejados, com filhos pequenos agarrados às pernas até o último instante antes de embarcar num voo financiado pelo SUS para tentar o transplante de pulmão em Porto Alegre.

O Paulo Roberto morava numa mansão espetacular na Zona Sul, onde o único momento agradável do dia para fugir do convívio áspero com mulher e a filha consistia numa fuga embalada por drogas e vodca.

Com todos os ingredientes materiais para a felicidade, Paulo recusou a proposta de transplante e assumiu que não tinha nenhum afeto por viver que justificasse o investimento em espera, disciplina, cumprimento de rotinas e protocolos, e, por fim, a dor física da cirurgia e a aridez da terapia intensiva. De jeito nenhum. Antes a morte que substituiria o suicídio, que tantas vezes planejara sem a coragem da execução.

O Clóvis brigou com todas as forças para sobreviver. Quando elas acabaram, suportou 10 dias em respiração artificial, até que surgiu o doador e o transplante que o resgatou pelos cabelos. Um convite para enterro exagerado no formato e no custo, mas minúsculo no afeto e na emoção, foi a última notícia que tivemos do Paulo Roberto.

No primeiro Natal depois do transplante, Clóvis mandou um cartão que o grupo de transplante pulmonar considera uma espécie de terapia para qualquer ameaça de desânimo:

“Agradeço a Deus por esta doença! Ela me fez tocar com a mão a fragilidade e a precariedade desta vida, tirou-me do trabalho, colocou-me no mundo dos doentes. Uma experiência muito dura, uma realidade difícil de aceitar. Descobri o que quer dizer depender, ter necessidade de tudo e de todos e não poder fazer nada sozinho. Mas experimentei também o carinho, o amor, a amizade e a dedicação dos médicos, enfermeiros e amigos que me ajudaram muito. Hoje, vejo tudo com olhos diferentes: aquilo que tenho e o que sou não me pertencem. Tudo é um dom de Deus. Assinado: Clóvis (respirando muito bem o ar da vida).”


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3 comentários:

  1. Catarino, desejo a ti, teus familiares e todos os visitantes do teu blog um Feliz Natal. Aproveito para informar que dia 02 de janeiro estreia Urbanascidades 2012, igual mas...diferente.
    Paulo Bettanin.

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  2. Paulo
    Muito obrigado, tenha você também um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

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  3. Conslusão sábia.
    De fato a doença nos afasta do convívio rotineiro da vida.
    Mas cria um mundo fantástico de oportunidade por permitir ver o que acontece com outras pessoas.
    Daí descobrimos que nosso sofrimento é pequeno, diante de outros que sofrem mais ainda.
    Faliz Natal e Próspero Ano Novo.

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