Palavras. O que motiva um professor?

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Palavras. O que motiva um professor?

Um professor, que no Brasil tem remuneração insatisfatória, precisa ter muita vocação para ter coragem de iniciar na profissão e nela se manter. O texto abaixo, escrito pelo médico e escritor J.J. Camargo, conta uma linda história que emociona e motiva àqueles que seguem a profissão de professor. J.J. Camargo é colunista do caderno Vida do jornal Zero Hora.

Uma insuspeita compensação

É impossível dimensionar o salário que seria justo a um professor, porque a tarefa é grandiosa demais para ser avaliada por padrões convencionais de mercado. O que sabemos com certeza é que a dignidade da profissão só seria resgatada com um potente multiplicador.

Por outro lado, submeter alguém – com uma missão tão influente no futuro dos jovens – a uma remuneração humilhante é a maior prova de desapreço por tudo o que há de mais nobre para o futuro de uma nação que se pretenda honestamente construir.

O ufanismo no anúncio de que já somos a sexta economia do mundo serve apenas para obscurecer a realidade de que temos um dos mais baixos índices de escolaridade, não apenas entre os emergentes, o que já seria degradante, mas da nossa pobre América Latina.

Enquanto nossos governantes não despertarem para a necessidade urgente de priorizar a educação, não como um nauseante exercício de demagogia eleitoral, mas como estratégia de sobrevivência para nossos descendentes, restará aos professores uma compensação profissional que os tecnocratas desconhecem absolutamente: a alegria de pôr brilho nos olhos dos jovens através da maravilhosa arte de ensinar. Mesmo que tenhamos constrangimento de mostrar o contracheque do que recebemos como salário.

Pensei nisso um dia desses, quando terminei uma aula sobre transplante de pulmão. Entre as muitas histórias, havia o caso de uma menina transplantada com lobos pulmonares dos pais. Um pingo de gente, com uma carinha linda, transformada depois em mascote das nossas campanhas de doação de órgãos. Para ilustrar sua doçura, contei que ela fora uma das raras pacientes que encontrei capaz de ligar para o consultório no meio da tarde, simplesmente para dizer: “Tio, tô com saudade!”

Terminada a aula, uma aluna se aproximou, visivelmente emocionada, e anunciou: “Professor, eu lhe prometo que eu vou ser boa médica, mas tão boa médica, que um dia, os meus pacientes vão ligar só para perguntar como eu estou!”

Pronto: aquele semestre estava compensado.



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2 comentários:

  1. olá guri
    Nada mais gratificante
    q o reconhecimento do nosso trabalho
    e saber q de certa forma estamos formando
    a conduta de alguem
    pena q hj em dia professores não são tão valorizados assim

    bjim guri

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  2. Ao começar o dia ler algo assim, inspira.

    Obrigada por publicar tão belo texto, que não perde a delicadeza mesmo sendo uma contundente denúncia. E, eu me pergunto: Quando nossos governantes vão acordar como a aluna acordou para a sua responsabilidade? Quando desejarão assumi-la por inteiro? Quando será que vão acordar para o fato de que tem nas mãos o futuro e, que não estão a pensar nadinha nele, quando desejarão que uma nação seja grata pelo que se fez por ela? Quando sentirão vontade de se esforçarem para que as gerações futuras sejam tão educadas e comprometidas em perpetuar bem estar, que o país não será só o sexto em economia, poderá e deve ser, o primeiro em dignidade.

    Abraços!

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