A difícil decisão de continuar a escrever.

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A difícil decisão de continuar a escrever.

Escrever e guardar os textos não tem nenhuma emoção, pois não sabemos se o que foi escrito tem algum significado. Quando criamos um blog e publicamos nossos textos ficamos a expectativa de que tenhamos alguns leitores e que esses leitores digam alguma coisa. Saber se o que escrevemos tem alguma importância para as pessoas é o que mais queremos, mas nem sempre temos essa resposta.

No texto abaixo o escritor Antonio Brás Constante fala sobre a dificuldade de se manter escrevendo e sobre a decisão de parar e depois voltar.

POIS É, VOLTEI, DEPOIS DE MORRER...

Pois é, voltei. Acho que morri por uns tempos, me despi de toda roupagem de autor e desisti, resistindo aos primeiros impulsos de respirar novamente a escrita, esmoreci a vontade de voltar, até sentir que tinha me libertado da liberdade de escrever. Cheguei a virar a página, a apagar a luz, a esquecer como é a sensação de ordenar aos dedos que dedilhassem meus pensamentos em algo que se pudesse ler...

Escrever é como nadar contra a correnteza, sem qualquer certeza de onde se quer chegar. O que eu fiz foi apenas parar de dar braçadas nas águas dos acontecimentos, me deixei afundar, sem qualquer resistência ou insistência. Por isso que digo que morri, me afoguei nas profundezas do esquecimento, e a cada dia ia ficando mais fácil, mais cômodo, mais tranquilo, mais... Etc. A cada dia mais eu via menos de mim mesmo como escritor.

Outro dia, logo após publicar meu primeiro texto de retorno “A CANDIDATA E O BDSM”, recebi algumas mensagens de boas-vindas, entre elas a de um amigo que ainda não conheço pessoalmente, mas com quem já tive a oportunidade de conversar algumas vezes por telefone, e-mails e redes sociais, o jornalista e também escritor Aparecido Raimundo de Souza (a quem estou devendo já á um bom tempo à criação de um vídeo com seus textos para ser lançado no Youtube). Da troca de mensagens com o Aparecido veio o embrião da ideia deste novo texto.

Descobri que parar de escrever até que não é tão difícil. Basta por na balança o alto custo de algo tão precioso quanto o tempo gasto em algo como a escrita. Quando se pesa o custo e o beneficio de escrever, percebemos que se dedicar à escrita é um péssimo negócio.

Escrever, assim como viver, dá trabalho, cansa, esgota as energias. Aborrece às vezes. Fazendo-nos querer ser nada, sombras livres para vagar sem chamar a atenção para si. Deixar de ser vidraça, deixar de levar pedradas, deixar de juntar os cacos sempre que refletimos o brilho de nossas ideias na cara dos outros, isso muitas vezes irrita-os, tirando-lhes da comodidade de suas concepções prontas, e despertando a selvageria latente naqueles que são forçados a ter que pensar, mesmo que através da leitura de bobagens sem muito sentido.

Mas o que é o sentido? Quando vemos uma seta apontando em uma direção, achamos que aquilo faz sentido, que ela aponta para algo à frente, mas e se ela estiver apontando para o mais à frente, ou para o mais à frente ainda, vamos seguindo sua direção e encontrando tantas coisas, até chegar a um ponto em que ela vai apontar para o nada e nos perderemos em seu rumo, sem rumo.

O engraçado é que após minha volta, muitos já me perguntaram por que parei, mas ninguém perguntou por que voltei, ninguém mesmo, nem eu, pois confesso que ainda não saberia responder a essa pergunta...


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2 comentários:

  1. Catarino, como vai, amigo?!

    Voltar a escrever foi muito bom para mim, especialmente porque neste mundo da internet existe troca de idéias e muito mais. Nem sonho publicar um livro, para mim basta o que faço agora, é muito gratificante.

    Beijos

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  2. Catarino, e eu nunca consegui parar de bater teclas...rs

    Eu só não gosto é de escrever no papel.

    Um abraço.

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