Uma nova ideia para a origem do universo.

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Palavras, Crônicas

Sempre imaginamos (ou fomos levados a pensar) que somos a obra máxima de criador de obras máximas, e que todas as demais criaturas estão aqui para nos servir (como comida, trabalho escravo, cobaias, etc...). Entendemos que conquistamos o direito de sermos a obra máxima do universo por termos desenvolvido uma inteligência capaz de dominar, capturar e aniquilar outras criaturas, entre outras coisas.

Dispomos de um intelecto superior, que serve tanto para abrir potes de conservas com nossas hábeis mãos, quanto para concluir que somos especiais e por isso temos o direito de dominar tudo. Mas, e se uma civilização extraterrestre resolvesse aparecer por aqui e afirmar que estamos errados. Eles poderiam ser uma raça de seres raquíticos e pequenos, porém, com grandes e hábeis cérebros, capazes tanto de abrir potes de conservas sem precisar usar as mãos, quanto para concluir que são mais especiais do que nós por serem bem mais avançados mentalmente, e que por isso teriam o direito de dominar, capturar e até aniquilar tudo que achávamos que já tínhamos dominado, capturado e ameaçado de aniquilação, ou mesmo aniquilado, entre outras coisas.

O primeiro passo deles seria nos converter a sua religião politeísta composta por três superdeuses: Usde a criadora, Sued o destruidor e Edus o Juiz (uma entidade ambígua retratada tanto como masculina quanto feminina) que decidia quando era hora de construir ou destruir as coisas.

Explicariam que de acordo com esses Superdeuses tudo no multiverso e até mesmo no plurireverso lhes pertencia e que nós humanos estaríamos aqui para lhes servir (de comida, cobaias, trabalho escravo, etc...), e que caso desejássemos contestar isso bastaria pedir ao nosso Deus para falar com os três Superdeuses deles, e enquanto ele não retornasse com alguma mensagem sobre estas negociações divinas, deveríamos nos sujeitar aos caprichos deles.

Eles se autodenominariam Retarquianos ou apenas Retarquios, oriundos do planeta Retar, formado essencialmente por algo viscoso, fluído e transparente, na maior parte do planeta, com pequenas extensões de solo que eles chamavam de retar (daí a origem do nome do seu planeta). Viveriam em uma galáxia não muito distante, bastando apenas pegar a direita do Sol e seguir em frente por alguns milhares de anos luz virando a esquerda ao passar pelo terceiro buraco negro.

Os Retarquianos explicariam que encontraram nosso planeta por acaso, pois estariam tentando descobrir um novo caminho para a galáxia das Dínias onde costumavam fazer negociações comerciais intergalácticas, mas acabaram se perdendo em meio a uma tempestade cósmica, vindo a descobrir este novo mundo.

Durante o processo de conquista de nosso planeta os Retarquianos iriam aos poucos nos catequizando segundo seus preceitos culturais e religiosos. O criacionismo e o evolucionismo dariam lugar ao Conceito retarquiano de existência, no qual dizia que no inicio existiam apenas dois planos dimensionais, um onde habitava Usde a superdeusa criadora, que de tanto criar coisas preencheu totalmente seu infinito universo, impedindo-a de continuar criando, e o outro de Sued o superdeus destruidor que vivia no limbo, sem mais absolutamente nada dentro dele, pois tudo que Sued encontrava era imediatamente destruído por ele.

As dimensões desses superdeuses por fim se tocaram (não se sabe ao certo se isso foi por culpa de Sued que ao tentar destruir o próprio nada acabou rasgando o tecido existencial do limbo, abrindo um portal para dimensão vizinha, ou se a culpa foi de Usde que forçou tanto suas energias criadoras em sua dimensão superlotada, que acabou forçando-a de encontro ao limbo do Superdeus destruidor).

O choque entre o tudo e o nada iniciou uma onda colossal de criação/destruição infinitas, e foram essas energias liberadas que deram origem a Edus, cuja existência oscila entre as forças criadoras e destrutivas que regem tudo que existe. Para acabar com o conflito entre Usde e Sued, Edus em sua sabedoria criou Retar, e colocou nela os Retarquianos com a essência dos superdeuses, para que servissem de bússola indicando qual o melhor caminho a ser seguido, o da criação ou da destruição, e enquanto essa raça existisse as divindades deveriam parar de criar e destruir as coisas, e assim foi feito.

Inicialmente a versão extraterrestre da criação do universo seria meio difícil de acreditar, mas quando comparada a nossa versão terrestre onde dois jovens ingênuos eram colocados pelados em um bosque encantado, a mercê de cobras falantes e mal intencionadas que destilavam veneno em forma de palavras e eram deixadas junto aos jovens para enganá-los, sem que isso lhes servisse de desculpa na hora de expulsá-los do Éden, até que versão Retarquiana se mostrou bem plausível.

E assim, neste improvável futuro provável (ou seria provável futuro improvável?), a raça humana passaria para uma nova fase. Em todo caso nossa esperança é sempre de que esse ou qualquer outro futuro venha a ser algo melhor, porque se for para piorar, só poderemos rezar muito, mas muito mesmo, reforçando nossa fé e clamando com devoção para que os três superdeuses nos protejam.

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Autor: Antonio Brás Constante 
Cópias não permitidas www.blogdocatarino.com

Um comentário:

  1. Legal o post.Me lembrou de quando era criança e certa vez cheirei cola com tolueno.Virei um ser bidimensional.Continue assim,viajante.

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