Memorial do Convento de José Saramago.

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O livro Memorial do Convento, publicado por Editorial Caminho SA, foi escrito em 1994 pelo escritor português José Saramago. A edição que li foi publicada em 2013 em Portugal. No livro o autor nos conta a história de um rei português que faz uma promessa de mandar construir um convento, na localidade chamada Mafra, caso sua mulher venha a ficar grávida. O rei sabia que o problema de fertilidade era de sua mulher pelo simples fato de ter engravidado diversas súditas do reino.

Pouco tempo depois da promessa o milagre acontece e a rainha anuncia que dará a luz ao primeiro herdeiro do reino. Com a notícia o Rei providencia o início das obras. O interessante da história é que o Rei fez a promessa, mas é o povo que terá que fazer o sacrifício. O reino está praticamente falido, assim o povo é chamado a pagar mais impostos e fornecer mão-de-obra gratuita para a construção. No início da obra o Rei pedia voluntários, como a obra era muito demorada os voluntários queriam voltar as suas tarefas e o Rei passou a mandar o exército levar todos os homens adultos à força.

A construção do Convento é pano de fundo do livro que conta a história, em paralelo, de um padre brasileiro que queria voar. O padre era apoiado pelo Rei e contava com a ajuda de um ex-soldado que tinha um braço só e que era casado com uma mulher que podia ver o futuro das pessoas, caso as olhasse estando em jejum. A mulher, que se chamava Blimunda, já havia perdido a mãe que fora deportada para as colônias africanas por suspeita de bruxaria, por isso tinha que tomar todos os cuidados para esconder sua capacidade de ver o futuro. O marido chamava-se Baltasar e deixou o Exército por ter sido atingido em batalha e ter perdido o braço, mesmo sendo amigo do padre que era amigo do Rei não ganhou nenhuma pensão e vivia com o que lhe davam.

O interessante da história é que o Rei resolveu inaugurar o Convento, mesmo faltando muito tempo para sua conclusão, pois não queria morrer e deixar a obra para outro fazer a inauguração. O tempo passou, mas o método é usado até hoje, nossos governantes costumam inaugurar obras inacabadas, ou inúteis, só pela visibilidade de notícia. Conta a história que a única coisa que igualava o filho do Rei com o filho do mais humilde súdito era a doença, não importava os recursos que o Rei tivesse que a morte alcançava da mesma maneira.

Recomendo a leitura, pois além da história principal ficamos sabendo de diversos hábitos e costumes das pessoas que viviam em Lisboa na época em que os Reis eram, na prática, donos de tudo e de todos. O livro pode ser encontrado em nossas livrarias em ofertas como esta: Memorial do Convento


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